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Oasis – (What’s The Story) Morning Glory?

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Muitas pessoas insistem em associar o Oasis somente a arrogância de seus integrantes ou a quantidade de socos que Liam e Noel Gallagher trocaram ao longo dos anos.

Embora afirmar qualquer uma dessas coisas não seja mentiroso, já que os caras tinham egos tão grandes quanto os seus talentos e curtiam se esbofetear, ao fazer isso, muitas pessoas desconsideram a grandeza do trabalho do Oasis e rotulam a banda de acordo com a personalidade dos irmãos Gallagher, não por sua obra – de qualidade gigantesca, aliás.

Porque o Oasis, lá nos anos 90, não tinha só a fome por estrelato que a maioria dos novatos têm: os rapazes tinham também aquilo que era necessário para, de fato, conquistar a fama e ser tão grandes quanto, nas suas cabeças, eles sempre foram. E embora a relação tempestuosa de Liam e Noel estivesse no centro das coisas que moviam a banda – e aqui eu preciso lembrar a vocês que rock e conflito sempre trabalharam bem juntos, vide Mick Jagger e Keith Richards –, a instabilidade não era o único motor do trabalho do Oasis. Havia ali rebeldia, atitude e uma revelação interessante dos sonhos (decadentes) da classe trabalhadora britânica, que passou horas demais assistindo a The Kids Are Alright, “aquele-filme-do-The-Who”, e decidiu que podia fazer igual.

E em Definitely Maybe, o primeiro compacto da banda, isso se torna claro pelo desejo dos caras de transcender aquilo que é mundano: Rock’n’Roll Star, Supersonic, Live Forever são alguns dos títulos das músicas do disco que, cheio de melodias crescentes e um tom sarcástico, já deixou bem claro que o Oasis tinha vindo para ficar e serviu como um bom cartão de visitas para o álbum que, além de funcionar como a continuidade natural (e incrivelmente competente) do seu debut, é considerado até hoje um dos melhores da banda: (What’s The Story) Morning Glory?.

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Segundas Intenções

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Lascívia. Chantagens elaboradas. Reputações sendo destruídas. Comportamentos deploráveis. Sexo, sexo e sexo. Algumas mentiras. E videotapes. Todas essas coisas associadas ao elenco teen dos sonhos e um roteiro que, provavelmente, fez alguns pais exclamarem: “Ah, a juventude de hoje em dia!”.

Transportando o plot de As Ligações Perigosas (Dangerous Liassons, 1988) para uma Manhattan decadente, habitada por mauricinhos e patricinhas indecentemente ricos, que frequentam uma escola preparatória bastante exigente e valorizam ideais de perfeição, Roger Kumble, o diretor e roteirista de Segundas Intenções (Cruel Intentions, 1999), conseguiu manter a ideia central da história original, mas, ao mesmo tempo, dar a ela uma cara inevitavelmente “da sua época”. Tão da sua época que acabou caindo no gosto de 11 entre 10 adolescentes naquele 1999.

Isso porque há certo frisson em assistir um retrato tão mundano e pouco usual da juventude americana. Enquanto outros filmes adolescentes investiam na fórmula, hoje batida, de um mocinho e uma mocinha que se apaixonam apesar de todas as suas diferenças e decidem, nos 45 do segundo tempo, viver esse romance, Segundas Intenções é movido por uma aposta cruel envolvendo destruir uma jovem bastante inocente – e de comportamento infantilizado – para se vingar de outra pessoa. E não é que não exista ali aquele amor arrebatador demais para os 17 anos de seus protagonistas, mas ele parece presente para reforçar a ideia de decadência e (quase) hedonismo presente no roteiro do filme. Ele parece mais um “artigo de luxo” que Sebastian (Ryan Philippe) precisa ter para ser considerado alguém que está “acima” de tudo o que acontece a seu redor.

Então, mesmo quando surge a faceta mais redentora e sensível do longa, algum acontecimento destaca a absoluta falta de moralidade de seus personagens e torna claro que o comportamento deles será vil até o fim, até as últimas consequências – e o desfecho acentua isso ao transformar “as vítimas” em pessoas que tramam e destroem seus inimigos, ainda que exista a tentativa de dar ao ataque uma cara de “justiça sendo feita”. Não se enganem: o que assistimos de Cecile (Selma Blair) e Annette (Reese Whiterspoon) não tem a ver com justiça. Tem a ver com vingança pura e simples. Tem a ver com vencer o mestre em seu jogo e usando as mesmas ferramentas que ele usaria: a expressão facial mais inocente que você conseguir atingir, um ar de “estou fazendo o bem expondo para vocês quem essa pessoa é de verdade” e a capacidade de sair por cima, de não ter a sua reputação manchada pelos eventos.

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Drops Playlist: 90′s YEAH!

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Jaquetas jeans. Camisa de flanela. Titanic. Banheira do Gugu. Matrix. Grunge. Pulp Fiction. Madonna-Pós-Cabala. Blossom. Balas Icekiss™.

Se você viveu os anos 90, aposto, não esqueceu. A moda maravilhosa, os artistas raivosos, e a efervescência cultural de pessoas que desejavam se livrar dos excessos da década anterior e construir uma identidade mais simples, fizeram dos anos noventa uma espécie de ode a vida, frustrações e otimismo.

Nesse cenário, discos que captavam o espírito de gerações surgiram, one-hit-wonders maravilhosos sumiram, o pop como conhecemos começou a se desenhar, e movimentos inteiros nasceram e morreram. O que sobrou, quinze anos depois, foram resquícios que se notam ainda nos dias de hoje em homenagens espertas, canções que pararam no tempo, e um revival que não tem cheiro e nem gosto de naftalina. Duvida? Então dá play!

Elastica – Connection: bons riffs de guitarra, vocais sensuais e um tipo de fúria irresistível. É, baby, os anos noventa chegaram.

The Ting Tings – We Started Nothing: a autoconsciência de que não se começou nada, e que se está no meio é legal e mágico demais para que deixássemos passar batido.

Kiesza – Hideaway: o melhor clipe e talvez a melhor música dos anos noventa que foram produzidos em 2014.

Spin Doctors – Two Princess: daquelas que a gente até esquece que conhece, mas que quando toca nos faz vibrar, cantar e sorrir. E lembrar.

Meredith Brooks – Bitch: o primeiro verso, tão sincero, o refrão, tão verdadeiro. Levanta a Ice, fecha os olhos e junte-se ao coro: é sim a nossa música (e por ‘nossa’, incluo todos que já acordaram odiando o mundo alguma vez na vida).

Spice Girls – Wannabe: pra todo mundo que wanna zig-a-zig-ah!

Lady GaGa e R. Kelly – Do What You Want: que refrão é esse?! Pra encher os pulmões e cantar com força.

HAIM – Forever: tenho pra mim que as meninas do HAIM cresceram trancadas num apartamento enquanto assistiam Blossom, O Quinteto e Felicity na TV, sonhando com o dia que viveriam todos aqueles dramas. Só isso explica elas, tão jovens, terem entendido e capturado tão bem as cores de uma época.

Madonna – Sky Fits Heaven: quem foi que falou que para respirar é preciso parar tudo?

Ouça o drops playlist inteirinho no Youtube. 

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Adore Delano – Till Death Do Us Party

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Não é difícil ser conquistado pelas participantes de RuPaul’s Drag Race, e na sexta temporada, uma das mais carismáticas foi, sem dúvidas, Adore Delano. Fofa demais e com uma certa insolência que cativa, a performer mostrou ter uma empolgação quase inabalável e um charme natural que a salvava mesmo nos momentos em que parecia perdida nas provas executadas no programa.

Esses mesmos atributos se fazem notar também no seu primeiro CD, Till Death Do Us Party. Escancaradamente pop chiclete e honesto em sua intenção – fazer a gente dançar e se divertir, sem maiores mistérios -, o álbum às vezes sofre com um tom meio genérico, que o torna irregular como a trajetória de Adore no programa. Mas o empenho da artista em tentar mostrar como seu mundo é empolgante, além da energia safadinha e brincalhona que emana (que é sua e não parece emprestada de outro artista), fazem com que o disquinho permaneça pulsando mesmo nos momentos mais fracos. E chama a atenção para o que realmente vale a pena nele.

Exposto no título, o amor pela vida festeira é narrado na maior parte das gravações. E com ele, tudo o que vem de lambuja: sexo, bebedeiras, aquelas paixonites fulminantes que duram uma noite só; e ainda certa obscuridade, caracterizada por dores de cotovelo que surgem de rejeições e affairs frustrados.

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Seven – Os Sete Crimes Capitais

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Sempre existiram filmes a respeito de serial killers. Sempre existiram longas falando a respeito dos sete pecados capitais pelos ângulos mais diversos. E sempre existiram longas policiais, que oferecem um mistério central e prometem te manter preso ao que é exposto até o último segundo, onde vemos a revelação inevitável da identidade do assassino e a sua prisão, levando o público a uma espécie de catarse – que se justifica pela velha noção de que o bem sempre vai vencer o mal, a luz sempre vai acabar sobrepondo a escuridão e a justiça, mesmo que tardiamente, será feita.

E o que me faz gostar de Seven – Os Sete Crimes Capitais (Se7en, 1995), o debut de David Fincher, é que ele é todas essas coisas, mas muito mais corajoso. E vai muito além.

Quebrando com as nossas expectativas e ideias pré-concebidas para o gênero, Seven se afasta do que se espera de um blockbuster (ou de um longa que é somente veículo para estrelas) e se torna um filme sobre ideias, no qual estas sobrepõem até mesmo o enredo.

Usando um niilismo cortante, David Fincher persegue com afinco a noção de que “a vida fede”. De que a morte e o mal são triunfantes em todos os lugares e que a maldade conta com uma intensidade apaixonada e selvagem, quase incapaz de ser contida pelos esforços de pessoas como David Mills (Brad Pitt), o policial novato na divisão de homicídios e que é encarregado de investigar o caso de John Doe (Kevin Spacey), um cruel assassino que está recriando – de uma maneira bem gore – os sete pecados capitais.

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3 Momentos: Dido

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Há algo de especial em Dido que eu não sei definir bem o que é, e que vai além do talento que a moça tem pra música. Se eu tivesse que arriscar, diria que é um charme e serenidade muito peculiares, que aliados a esse ar de girl next door – tipo aquela garota que a gente poderia encontrar no apartamento acima do nosso – faz a gente acreditar e querer ouvir tudo o que ela canta.

Ou talvez seja essa habilidade que a inglesa tem de chegar de mansinho, como quem não quer nada, e de repente, boom!: cravar suas músicas e a emoção que elas possuem em nosso imaginário. E tornar suas histórias nossas.

Sem muito alarde, Dido lançou seu primeiro disco, No Angel, em 1999. A moça, que já possuía algumas demos de lambuja e colaborações com o grupo Faithless, liderado pelo seu irmão, Rollo Armstrong – um dos maiores parceiros de sua carreira individual – só estouraria mesmo dois anos depois, após uma forcinha não-intencional de Eminem, que usaria o sample de uma de suas faixas, Thank You, para construir a sua Stan. A gravação do cara atingiria o primeiro lugar nas paradas britânicas, pondo-a por tabela, mas merecidamente, sob os refletores.

Desde então, Dido não parou mais. Mesmo com algumas baixas na carreira – como a recepção morna de seu último disco de inéditas -, ela continua firme e forte, fazendo música com sentimento e uma bem vinda delicadeza que é só sua. E fiel (ao menos em essência) ao que mostrou ser desde o comecinho.

Nós resgatamos sua trajetória em 3 Momentos especiais.

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Cena: Os Normais

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Uma saudade do humor nacional? Nem preciso pensar muito: Os Normais!

O programa, assinado por Alexandre Machado e Fernanda Young, trazia Fernanda Torres e Luis Fernando Guimarães como os inesquecíveis e amalucados Vani e Rui e não perdeu seu fôlego em nenhum momento durante os anos em que foi exibido. Era delicioso ver, semanalmente, as aventuras dos dois que, hoje, podem ser relembradas na TV paga, em DVDs ou em vídeos de momentos antológicos que circulam pela internet.

As desventuras do casal se tornaram tão populares e bem recebidas que, em 2003, pouco depois do término do programa, o primeiro longa inspirado na série chegou aos cinemas: Os Normais – O Filme, dedicava-se a contar como a história dos protagonistas começou: um amontoado de situações absurdas e hilariantes que fizeram com que ambos, finalmente, se cruzassem e se apaixonassem – de um jeito bem peculiar.

Parecendo mais um especial de TV do que um filme, a produção é repleta de ótimos momentos e faz rir com facilidade. Dispondo do timing de comédia impecável de Torres e Guimarães, Os Normais conta também com atuações dos canastrões Evandro Mesquita e Marisa Orth, que fazem os pares românticos de Vani e Rui antes deles se conhecerem, e parecem muito à vontade em seus papéis.

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A Garota Ideal

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A Garota Ideal (Lars and the Real Girl, 2007) é daqueles filmes que, se você for ler a sinopse, vai imaginar uma comédia que te faz debochar do personagem principal e rir da situação em que ele está envolvido.

Ledo engano.

Porque o plot oferecido não é suficiente para você imaginar tudo o que vai acontecer com o protagonista ou mesmo como as coisas tomaram aquelas proporções. E, além disso, a situação de Lars (Ryan Gosling) passa bem longe do convite ao riso e tem tudo para partir o seu coração em mil pedaços a cada cena.

Em linhas gerais, assistimos aos acontecimentos (ou falta de) da vida do personagem mencionado, um rapaz recluso e de poucas palavras, que possui uma dificuldade imensa de interagir com as pessoas que o cercam – até mesmo aquelas da sua família, como seu irmão e cunhada – nas mais variadas situações. E mesmo quando os outros tentam conseguir alguma proximidade com ele, Lars ainda é retraído demais para aceitar as investidas e passa grande parte do tempo recolhido e isolado em sua casa. E quando você acha que tudo isso está perto de se resolver para o moço, a história se complica um pouco mais e potencializa aquilo que a gente já pensava sobre ele.

Porque, vejam só: um belo dia, o rapaz diz ao seu irmão que pretende apresentar a sua namorada a ele. O que poderia ser um acontecimento feliz e simbolizar a saída de Lars de toda aquela solidão, na verdade, passa como uma situação bem tristonha porque a moça em questão não é de carne e osso, mas sim uma boneca que o personagem havia comprado na internet e para a qual inventou todo um passado e uma vida independente da dele. E Lars age como se aquele relacionamento fosse real e parece mais feliz do que nunca. Ele fala a respeito dos seus sentimentos relacionados a namorada, teme que ela fique doente, protege Bianca (a boneca em questão) de tudo o que pode lhe acontecer de ruim e… parte o nosso coração.

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Pomplamoose – Season Two

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O Pomplamoose estourou no Youtube em 2009, fazendo versões de músicas pop famosas com roupagens brincalhonas e gostosinhas de ouvir. De lá pra cá, o casal – Nataly Dawn e Jack Conte -, lançou alguns disquinhos digitais em que prosseguiam com releituras e traziam também algumas canções inéditas (e bem fofas), tudo com um ar meio amador, mas que provava que eles faziam música por gostar de inventar e por serem, eles próprios, apaixonados pelos trabalhos de outros artistas.

Há uma semana, eles apresentaram Season Two, que como o título sugere, é um novo capítulo na carreira dos dois – e que como sugere a brincadeira de “temporada dois”, representa continuidade e é parecido com tudo que eles sempre fizeram. Estão lá os covers meio sonhadores, as faixas originais que dão aquela vontade de bater o pé e cantarolar junto e muita sintonia entre os Nataly e Jack. Zero de novidade, porém, quem liga quando a fórmula é tão simpática e espontânea?

De forma desprendida e sem medo de que considerem suas músicas autorais meio bobinhas, o Pomplamoose se joga de cabeça na diversão. Como em Fight Back, com tecladinhos super anos 80 e algo que lembra chipmusic, eles comandam uma rebelião amorosa contra alguém que não era exatamente o que o personagem apresentado na letra pensava; ou The Internet Is Awesome, que é geek como o título sugere: de forma meio declamada, Nataly fala sobre todas as coisas que a Internet nos possibilita, de um jeito meio deslumbrado. Tudo soa mais engraçado quando você considera que eles surgiram nesse veículo e, de fato, devem muito a ele por sua popularidade. Essa faixa é um momento meio experimental, que também lembra a trilha de algum videogame antigo.

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3×4: Alicia Florrick

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O título de The Good Wife engana tanto que chega a ser desonesto. Porque ele faz com que a gente pense muitas coisas que não poderiam destoar mais daquilo que a série aborda e do que a sua protagonista, Alicia Florrick (Julianna Marguiles), é.

Pressupondo um amontoado de clichês – afinal, o programa parte de uma premissa bastante corriqueira, nas telas e fora delas, e trata de um político envolvido em um escândalo sexual -, o nome e o plot do seriado não dão conta de transmitir o tanto que o seu conteúdo é intrigante e a grandeza de Alicia – que, com o perdão do exagero (consequência do carinho gigantesco que tenho pela moça), é uma das personagens mais legais que já assisti.

Digo tudo isso porque, num primeiro momento, ao simplesmente permanecer ao lado de seu marido, Peter (Chris Noth), não ostentando em sua expressão facial qualquer aprovação ou desaprovação pelos atos dele, assim como pela sua recusa (que não soa como resignação) em dizer qualquer palavra a respeito de sua vida pessoal aos jornalistas que a abordam, Alicia pode até passar como uma “boa esposa”. Como alguém que perdoa ter a sua vida íntima exposta para um país inteiro em nome de status ou amor. Mas assim que a gente assiste a uns dois episódios, essa impressão se desmancha no ar de tal forma que não sabemos explicar nem mesmo de onde ela veio.

Porque a trajetória de Alicia Florrick é sobre empoderamento. É sobre recuperar o controle e sobre como, por vezes, abrimos mão facilmente de pedaços nossos por algo que só faz sentido momentaneamente.

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Sharknado 2 – A Segunda Onda

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No ano passado, o Syfy, canal conhecido por aí pela falta de critérios com as suas produções pelos filmes de ficção científica e o gosto pelo “ecoterror”, exibiu Sharknado (Sharknado, 2013), longa que mesmo com a produção independente e o pouco barulho em volta, na ocasião de seu lançamento, conseguiu atrair o público, um bando de gente que sofre da mais aguda curiosidade mórbida, e garantir para a emissora uma boa audiência durante a sua transmissão.

Abraçando gostoso aquela vibe “tão ruim que chega a ser bom”, Sharknado parecia se levar a sério demais para admitir qualquer deboche e acabava se transformando numa comédia involuntária, especialmente pelo exagero presente em cada uma de suas sequências, que faziam a gente jurar que tubarões tinham um GPS interno, programado para caçar pessoas específicas; pelo texto fraco, que se amparava em frases de efeito de deixar qualquer Stallone Cobra (Cobra, 1986) morrendo de inveja; e pelas “atuações” que, para serem chamadas de caricatas, precisariam se dar ao trabalho de ser pelo menos atuações (Tara Reid, por exemplo, parece um boneco de cera tamanha a falta de expressões faciais).

E, assim como tudo o que é bom, o longa acabou ganhando nesse ano uma sequência. Provando que tubarões “voadores” podem ser sim um produto lucrativo, ao exibir Sharknado 2 – A Segunda Onda (Sharknado 2 – The Second One, 2014), o Syfy obteve a maior audiência de sua história, levando mais de 1,5 milhões de pessoas para frente da TV.

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Tiê – Sweet Jardim

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A simplicidade de Sweet Jardim, o disco de estreia de Tiê, faz com que ele crie uma ligação instantânea com a gente. E você percebe isso logo na primeira canção: com um dedilhar tristonho e marcante, Assinado Eu traz a cantora pedindo desculpas a um ex-namorado por ter desistido do relacionamento, com a voz meio embargada.

É tão singelo que te desarma, fisga logo de cara e te coloca numa espécie de “salinha” imaginária ao lado da artista. A gente quase sente que ela está sentada em nossa frente, desabafando e tentando queimar o sentimento que a sufoca. Esse tom super próximo, “de cara limpa” – sem firulas na forma, que se equilibra quase sempre no formato voz e violão, e com muita honestidade no conteúdo – permeia o álbum inteiro.

A visão de mundo que Tiê imprime nas faixas é de alguém que embora caminhe para a vida adulta, ainda está empacada em uma brecha anterior a ela, repleta de questões meio juvenis; numa incompreensão e tentativa de assimilar as coisas até ingênua, mas que nunca soa infantil. Exemplo disso é Passarinho, em que ela busca descobrir qual o seu papel na sua vida e o que quer de verdade, resgatando seu nascimento – como se fosse um passarinho indefeso – e a busca por se tornar forte: “E decidi que a vida logo me daria tudo/Se eu não deixasse que o medo me apagasse no escuro”.

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Os cadernos de Dom Rigoberto, Mario Vargas Llosa

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Oito anos depois de escrever Elogio da Madrasta – romance erótico e despido de qualquer moral, que nos apresentou ao pestinha Fonchito, a sua madrasta Lucrecia e ao seu pai Rigoberto – Mario Vargas Llosa resolveu revisitar a família, separada e devastada pela traição, para demonstrar o que ocorreu depois que Rigoberto descobre o mini-romance de seu filho com a sua própria esposa.

Mostrando uma Lucrecia amedrontada com a volta do pequeno Fonchito, que mais maldoso do que nunca, resolve visitar sua madrasta por sentir saudades da mesma, o autor cria novamente um ambiente de suspense e que deixa, mais uma vez, o leitor ansioso pelas próximas páginas e pelo desenrolar da história.

A aparente preocupação de Fonchito com a solidão de seu pai e a tristeza de Lucrecia, mesclam-se à sua obsessão pelo pintor austríaco Egon Schiele, fazendo com que menino insista que a madrasta encene os seus quadros a todo momento, o que a faz lembrar de Rigoberto o tempo todo e mexe com seus desejos, tanto em relação ao enteado, quanto em relação ao seu marido. Além disso, o garotinho começa a fazer trocas de cartas entre sua madrasta e seu pai, para que os dois, enfim, voltem a se entender. Continue reading

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Top 5: Os melhores personagens do Snatch Game

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Para quem não assiste ao reality show RuPaul’s Drag Race, talvez, as palavras “snatch game” não signifiquem nada, mas para os fãs do programa, elas representam duas coisas: um dos melhores episódios da temporada ou um dos piores. Realmente depende dos envolvidos, dos papéis que as queens daquele ano decidem interpretar e de como tudo é executado por elas. Porque, em alguns casos, o que acontece durante o jogo é tão vergonhoso que te faz desejar que o Snatch Game seja abolido em temporadas futuras…

… Mas, mesmo quando algumas participantes do programa parecem determinadas a nos causar a mais aguda vergonha alheia com a sua interpretação – ou por não ter a menor ideia da carreira e da personalidade famosa que decidem imitar ou por não ter mesmo o menor talento para o humor – sempre existe ali quem salve a “partida” do desastre completo por possuir um bom timing, acertar a mão na caracterização e conhecer à fundo o seu homenageado. E aí, a gente ri sem muita dificuldade, pensa “nossa, mas é desse jeitinho mesmo que fulano age” e esquece aquele papo de nunca mais querer ver um Snatch Game na vida porque, oras, é tão divertido!

E foi pensando exatamente nisso que hoje decidimos reunir as cinco participações mais inspiradas desse joguinho que todo fã de RuPaul conhece bem, considera pacas e já pensou em reunir os amigos para fazer igual – mesmo correndo risco de acabar sendo tão insosso quanto, sei lá, Trinity K. Bonet de Nicki Minaj, Alyssa Edwards de Katy Perry ou Ivy Winters de Marilyn Monroe. Enfim, vocês pegaram a ideia, né? Então, agora vem com a gente conferir quais são as cinco interpretações mais memoráveis do Snatch Game segundo a Outra Página.

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