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O Mundo Pós-Aniversario, Lionel Shriver

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Em Precisamos Falar Sobre O Kevin, o seu livro mais conhecido e aclamado, Lionel Shriver demonstrava talento ao conseguir chamar a atenção para mais do que o conteúdo do seu romance. Kevin mantinha o leitor atento a cada palavra escrita por Lionel por sua estrutura difusa, que reflete muito bem a maneira como opera a memória quando se tenta recuperar acontecimentos traumáticos e tudo aquilo que os antecedeu; pelo estilo incisivo, que não poupava detalhes ou fazia questão de despertar simpatia pelos personagens do livro; e também – e talvez principalmente – por não tentar responder perguntas que, devido à sua natureza, nunca poderiam ser respondidas de uma maneira satisfatória ou minimamente aceitável. O que interessava a autora parecia ser antes a investigação – não num sentido policial, mas sim de levar o seu leitor pelo mesmo caminho tortuoso que Eva, a protagonista e narradora de Precisamos Falar Sobre O Kevin, percorria até o entendimento de que, na verdade, talvez não fosse possível encontrar o ponto em que ela falhou como mãe ou ser humano e, por isso, acabou criando um “monstro”.

Novamente, em O Mundo Pós-Aniversário, Lionel Shriver se debruça sobre a investigação. Mas outro tipo de investigação porque em Precisamos Falar Sobre O Kevin o que perpassava toda a narrativa era um “porque?”  e O Mundo Pós-Aniversário é construído em cima de um grande “e se…?”. E, exatamente por sua temática de caráter universal, próxima da realidade de qualquer um que viveu um relacionamento amoroso longo, essa pergunta incomoda a cada frase escrita por Shriver.

Em linhas gerais, o romance conta a história de Irina McGovern, uma ilustradora de livros infantis que é casada com Lawrence Trainer, um analista político, há quase dez anos. Os dois se conhecem bem, compartilham de uma intimidade bem cuidada e conseguiram construir um universo seguro ao seu redor. Indo na contramão, está o casal de amigos dos protagonistas, composto por Jude Hartford, uma escritora, e Ramsey Acton, um jogador de sinuca bastante famoso no Reino Unido. Se Irina e Lawrence parecem apaixonados um pelo outro, Jude e Ramsey parecem se odiar completamente e não ter nada em comum além de ocupar a mesma casa. Porém, pela fama de Ramsey, Jude demonstra gostar de exibir o casamento da dupla, de modo que, num dos aniversários do marido, ela convida Irina e Lawrence para jantar com eles. E, a partir disso, desenvolve-se uma espécie de tradição do quarteto, que persiste ao longo dos anos até que, em 1996, Jude e Ramsey se divorciam, Lawrence está numa convenção em Sarajevo e sobra a Irina, em nome dos velhos tempos, convidar Ramsey para jantar com ela.

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3×4: August Pullman

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Nome: August Pullman
Idade: 10
Apareceu em: Extraordinário, de R.J. Palacio

August Pullman é um garoto diferente.

Algumas pessoas podem pensar que ele é assim apenas por um motivo que, literalmente, está na cara: portador de uma síndrome genética rara, o menino possui uma deformidade facial que torna sua aparência um pouco chocante.

Mas os motivos reais que tornam August incomum de verdade não fazem referência a essa questão. O protagonista de Extraordinário, escrito por R.J Palacio é especial por ter um espírito de fibra e uma curiosidade pelo lado bom das coisas quase inabalável.

O garoto, que até os dez anos estudava em casa, concorda – por insistência dos pais -, em freqüentar uma escola de verdade. E essa mostra ser a experiência que mudará sua vida, fazendo com que ele entre em contato com toda diversidade humana e perceba que é, ao mesmo tempo, muito diferente e muito similar aos outros em suas ambições e anseios.

A empreitada não é tão simples. Embora conheça pessoas de coração aberto para as diferenças, August também confronta a ignorância de outros que o subestimam apenas pela sua aparência. Em diversos momentos, ele sente-se reprimido e fraqueja diante de tantas novidades, querendo voltar para a forma com que vivia a vida: na proteção do lar, com seus pais ao seu lado o tempo todo e dando-lhe atenção em tempo integral .

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Communication, The Cardigans

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Communication, a faixa de abertura de Long Gone Before Daylight, é uma das músicas mais doloridas do repertório do The Cardigans.

Conhecidos por aí, principalmente, pela dançante (mas igualmente triste em termos de letra) Lovefool, a banda parece despir os subterfúgios que usou no seu registro mais famoso para falar a respeito da dificuldade de comunicação em um relacionamento em Communication.

A letra da canção se inicia com Nina Persson cantando, num tom cortante, a respeito do tempo que passou tentando aprender maneiras de se conectar com pessoas diversas, sem obter muito sucesso, e descreve exatamente o quanto é difícil baixar a guarda e deixar as outras pessoas fazerem parte da sua vida – especialmente quando elas também possuem um histórico considerável de hesitação na hora de falar sobre os seus sentimentos.

Isso é feito com simplicidade e de um jeito direto, de quem não quer enfeitar a situação para torna-la poética (I’ve seen you, I know you/ But I don’t know how to conect/ So I disconect). Em Communication o Cardigans parece ter consciência de que, na verdade, situações onde a comunicação se torna inviável são bastante tristes.

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Top 5: Filmes do Scorsese que não parecem Scorsese

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Martin Scorsese lançou o seu primeiro filme, Quem Bate À Minha Porta (Who’s Knocking On My Door, 1967), há quase quatro décadas e, de lá pra cá, ele fez um pouco de tudo – documentários sobre músicos e escritores, comédias com um tom surreal, romances de época, filmes voltados para o público infantil… Enfim, quando eu digo “tudo”, é pra você levar a palavra bem ao pé da letra mesmo porque a filmografia de Scorsese é diversificada demais, ainda que as produções que o tornaram famoso contem com as mesmas características e, algumas vezes, falem a respeito de indivíduos muito semelhantes.

E embora os filmes que fizeram Marty ser quem ele é sejam excelentes – e a gente já falou mais demoradamente sobre isso no 3 Momentos em homenagem a carreira do diretor – , o assunto hoje são aquelas produções que, caso os créditos fossem retirados, você nunca atribuiria a Scorsese. Porque, ok, talvez existam em todos os filmes do diretor alguns traços autorais e específicos demais, mas, algumas vezes, ele simplesmente decide contar uma história inusitada. Uma história que não tem a ver com ascensão e queda, nem com busca por dinheiro e poder, nem se passa em Little Italy e, menos ainda, traz mafiosos, boxeadores ou motoristas de táxi como protagonistas.

Então, prepare-se para algumas surpresas (boas, em sua maioria) e clica no “continue reading” para descobrir quais são os cinco filmes do Scorses que, simplesmente, não parecem Socrsese.

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Maria Rita – Coração a Batucar

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O esforço de Maria Rita para construir a sua fama e imagem para além da genética sempre foi notável. Em seu primeiro – e homônimo – disco de estúdio, a cantora entregava um repertório marcado pela fragilidade e pela qualidade de sua interpretação, sempre cheia de sentimento, que emprestava a canções já conhecidas – e gravadas poucos anos antes que ela resolvesse inclui-las em seu primeiro álbum -, como Veja Bem Meu Bem, uma cara nova e interessante. Maria mostrava em Maria Rita que era capaz de deixar a sua marca nas canções que regravava e de se desviar muito bem, obrigada, do legado de sua mãe – ainda que, em 2012, ela tenha feito uma turnê inteira se dedicando a cantar sucessos e Elis Regina e, coincidência ou não, Redescobrir, o show em questão, foi responsável por restaurar a popularidade de Maria, que andava meio em baixa no período.

Em seu Segundo, disco que bebia das mesmas fontes que o primeiro esforço musical da artista, ela conseguia mostrar que o afastamento não era sorte de principiante e  ainda apareceu com ares mais maduros – tanto em termos de interpretação quanto em termos de postura no palco. Porém, foi somente em Samba Meu, a primeira aventura da cantora pelo mundo do samba, que todo mundo teve a certeza de que Maria Rita podia passear com naturalidade por qualquer terreno e soar interessante. E ela fazia isso sem parecer datada ou como se estivesse tentando rememorar um tempo que, há muito, se foi. Mesmo resgatando clássicos como Não Deixe O Samba Morrer, ela achava espaço para mostrar que o seu samba era uma versão atualizada daquilo que grandes nomes fizeram no passado, mas sem deixar de lado instrumentos importantes para o estilo, como o surdo e a cuíca.

Em Coração a Batucar, o sexto disco de estúdio de Maria Rita, ela se volta novamente para esse terreno e, dessa vez, assina a produção de todas as faixas do compacto. Resgatando a sensualidade e a malícia de Samba Meu, mas apostando mais em cadência e num tom mais classudo do que “povão” (ainda que, vez ou outra, o disco evoque a sensação de que a gente está num fundo de quintal), Maria canta de um jeito despretensioso e leve, emprestando as suas canções uma cara inegavelmente sua. Porque essa leveza dos vocais e o tom debochado que surge ocasionalmente entram em contraste com o conteúdo das letras – que, de modo geral, falam sobre dor, amores desfeitos e outros assuntos comuns ao samba – o que é o caso da ótima Abre o Peito e Chora e mostram que Maria Rita conhece bem o estilo pelo qual passeia.

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Confia Em Mim

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Uma sub-chef que ambiciona ser chef de cozinha e passa maus bocados em seu trabalho. Um homem aparentemente perfeito que se envolve, dá força a ela, e faz com que ela persiga seus sonhos. Um homem que, depois de um curto espaço de tempo, some com todo o dinheiro e sonhos da mulher.

Se não fosse falado em português e se não contasse com rostos conhecidos, Confia Em Mim (Confia Em Mim, 2014) poderia facilmente se passar por um filme americano. Ou francês. Ou canadense. Ou inglês. Ou de qualquer lugar.

Porque Confia Em Mim, na verdade, é um exemplar totalmente distinto de seus pares nacionais e, ao mesmo tempo, inteiramente igual a longas estrangeiros. Sem se preocupar em traçar um paralelo com qualquer contexto político ou social (e não estou apenas falando sobre problematizar as esferas mais pobres, mas sim de ignorar qualquer nuance), o filme de estréia de Michel Tikhomiroff emula características típicas dos longas de suspense e parece querer, mais do que qualquer outra coisa, divertir.

Esse distânciamento de características brasileiras se torna quase asséptico e pode ser sentido nas locações, cenários e na fotografia – que banha tudo com uma luz cinematográfica que difere, e muito, de qualquer luz natural. Embora o filme se passe em São Paulo, nenhuma cena externa da metrópole é explorada. Em seu lugar, o que se vê são cenários perfeitos, apartamentos luxuosos como os que são vistos em comédias românticas estadunidenses, e um texto que transforma seus personagens em peças de um jogo de xadrez.

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3 Momentos: Sara Bareilles

saraSara Bareilles, atualmente, é um nome um pouco mais conhecido no cenário pop. De 2013 pra cá, a moça tem aparecido em premiações – e sido indicada a prêmios! -, emplacado algumas canções e se tornado querida de um público que, geralmente, pensa que pop é só música pra bater cabelo, ignorando o fato de que se pode fazer quase qualquer coisa dentro do gênero.

E é bem isso que Sara faz desde 2004, ano em que seu primeiro disco foi lançado. Indo na contramão – ainda que de um jeito mais tímido do que artistas como Lorde e Sky Ferreira  -, a cantora entrega faixas que são radiofônicas, que tem tudo para agradar e vender, mas que não diminuem o seu talento ao fazer isso.

Dona de uma voz ilimitada, de um ponto de vista singular, que se manifesta na maneira como ela aborda os seus temas – sendo que o mais significativo deles é o amor – e passeando confortavelmente por influências diversificadas, nesses dez anos de estrada, Sara mostrou carisma, competência e consciência do seu lugar no mundo pop. Um lugar que, aliás, não a incomoda e, frequentemente, rende algumas piadas durante os seus shows.

E é por ser fofa, talentosa e merecer mais reconhecimento que a gente faz a nossa parte (risos) mostrando pra vocês os 3 Momentos mais legais da carreira de Sara Bareilles.

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Entre Nós

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Entre Nós (Entre Nós, 2013) tinha tudo para ser só mais um filme, desses, que passam despercebido e não fazem barulho.

Porque a ideia principal do longa não é original. Porque o diretor não é conhecido. E o elenco, ah, o elenco tem um ou dois bons nomes – e mais um bocado de gente que, usualmente, transita entre o ruim e o mediano. Chega a ser meio óbvio que tudo isso somado não faria do título um sucesso. O que não é tão óbvio, no entanto, é o tanto que o filme é bom. E ele é muito, muito, muito bom.

Inciado em um ponto de partida comum (e até mesmo clichê), Entre Nós conta, basicamente, a história de um grupo de amigos que se reencontra depois de uma década afastados a fim de desenterrar uma caixa com cartas que eles escreveram para si mesmos quando tinham lá seus vinte e poucos anos. Com um primeiro ato que celebra a amizade e traça o perfil de cada uma das personagens, o longa de Paulo Morelli chama a atenção logo de cara por seu cuidado plástico. Com planos que exploram o melhor de seu cenário (o filme inteiro se passa num sítio na Serra da Mantiqueira) e a beleza de seus atores, o longa parece possuir uma gama particular de cores e texturas – que faz com que as imagens pareçam saltar da tela para se aproximar do espectador. O figurino, igualmente bem trabalhado, complementa os detalhes de uma década de noventa perdida e parece acentuar visualmente toda a alegria, o humor e a vida de seus protagonistas.

Mas, mais do que um belo exemplar de técnica, o longa é uma historia que tenta (e, em algum grau, consegue) falar sobre caráter, escolhas e crescimento. Mesmo se dividindo em duas partes, Entre Nós nunca se entrega a nostalgia. A saudade que suas personagens sentem de ser quem eram e de terem vivido o que viveram, funciona mais como contraste e ferramenta de confronto do que como muleta emocional. E isso acontece porque as personagens, conforme a narrativa avança, demonstram que mudaram. O passado e as histórias pregressas de cada um deles ainda estão lá e se fazem presentes em algumas frases soltas, no rosto endurecido, em olhares menos viçosos e num manto de sarcasmo corrosivo. Nada é detalhadamente explicado ou verbalizado. A vida de todos parece estar em movimento – cabendo a nós, enquanto espectadores, observar e tentar entender.

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She & Him – Volume One

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O primeiro disco da dupla She & Him, Volume One, traz algo de amador que pode incomodar alguns – talvez os mais habituados à discos redondinhos e super bem acabados, ou mesmo algum incauto numa primeira audição. Mas essa característica é, na realidade, seu maior mérito.

É esse suposto amadorismo que faz o imaginário que Zooey Deschanel e M. Ward quiseram captar aparecer de forma tão bem construída. Optando por um acabamento cru – refletido também na sonoridade dos instrumentos, que não parecem possuir grandes retoques ou intervenções – Volume One presta tributo ao pop e o folk da década de 60 e 70 com fidelidade tanto em forma quanto em conteúdo. E, mais ainda, o álbum não esconde que se trata do encontro de dois amigos interessados pelas mesmas influências musicais, que colocam em primeiro lugar o fazer musical.

Outro ponto que vale elogios no debut é que, ao invés de facilitarem essa “reconstrução” de uma época optando por versões de sucessos, quase todo o repertório da dupla é original. Há covers na tracklist – como You Really Got a Hold On Me, I Should Have Known Better e a hidden track Swing Low Sweet Chariot -, mas grande parte dessas faixas de roupagem retrô nunca foi ouvida antes.

E assim, ao invés de apelar para a nostalgia baseada em registros saturados, o She & Him prefere nos fazer voltar a um tempo mais inocente e romântico tendo como trilha momentos inéditos – mas que não ficam a dever nem em qualidade, nem em fidelidade à atmosfera daquela época se comparados aos covers.

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10 Fatos Sobre: As Patricinhas de Beverly Hills

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As Patricinhas de Beverly Hills (Clueless, 1995) é um daqueles filmes que, embora sejam fáceis de situar em um tempo, não perderam o frescor que tinham na ocasião de seu lançamento. E assim como é fácil dizer que o longa pertence aos anos 90, é fácil também determinar porque ele soube envelhecer tão bem.

Dono de um timing preciso para piadas, o roteiro nos entrega personagens tão surreais e divertidas e cria para elas um vocabulário tão peculiar que a gente se pega intrigado por um universo que é óbvio – afinal, trata-se de corredores de escolas para adolescentes ricos, cujas únicas preocupações são a moda, por exemplo -, mas que é retratado com tanto vigor e bom humor que quase parece que a gente está assistindo a um teen movie pela primeira vez.

Isso também acontece pelas referências pra lá de boas à cultura pop – como, por exemplo, quando Cher (Alicia Silverstone) e sua amiga Dionne (Stacey Dash) dizem que têm esses nomes por causa de cantoras que faziam sucesso, mas agora fazem comerciais –; ao figurino cuidadosamente pensado para nos remeter a uma época em que ombreiras eram legais e o xadrez se popularizava por causa das bandas de grunge; e, claro, à trilha sonora que conta com tudo o que fazia sucesso na época: No Doubt, Cranberries, Radiohead…

Todas essas coisas fazem a gente se sentir nostálgico e desejar novamente o software de Cher para fazer combinações de roupa (todo mundo quis um dia na vida e nem adianta negar!) e é exatamente com esse espírito de saudade de uma época em que misturar estampas não era considerado falta de senso estético que hoje a gente separou 10 curiosidades sobre As Patricinhas de Beverly Hills que vão te fazer ter vontade de assistir ao filme de novo.

E de novo!

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Arcade Fire – Funeral

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No show (maravilhoso e catártico) que o Arcade Fire fez em São Paulo no último domingo (06/04), Win Butler contou que, talvez, todas as suas músicas sejam sobre saudades, uma palavra que ele só havia aprendido no dia anterior. Isso é bastante claro em The Suburbs, um álbum todo sobre uma adolescência nos subúrbios canadenses, mas antes disso e desde o início, o Arcade Fire vinha tocando no tema que articularia no que é, até agora, sua obra prima.

Funeral foi lançado em 2004, quando o The Strokes ainda estava em seu auge, o White Stripes ainda existia  e o Franz Ferdinand lançava seu álbum de estreia. O indie rock ainda estava fascinado com a estética de garagem, as músicas simples e sujas, remetendo ao punk rock, ou o tal “rock para garotas dançarem” do Franz, grudento e eficaz na sua ausência de complicações. O Arcade Fire era o oposto de tudo isso.

Uma banda com dez integrantes (e músicos de apoio nos shows ao vivo) que contava com instrumentos como bandolim, xilofone, violinos e acordeão, um álbum de estreia enorme, conceitual, quase épico. Os álbuns do Arcade Fire, de Funeral até hoje, são quase como livros: há um conceito original e uma história a ser contada e embora as músicas sejam autônomas, é impossível ignorar a ligação entre elas.

Tão impossível que no primeiro disco algumas tinham o mesmo nome: Neighborhood #1, Neighborhood #2, Neighborhood #3 e Neighborhood #4. A primeira delas é a faixa que abre o álbum, com uma letra que rememora casas de subúrbio da infância e se pergunta onde foram para todos os pais, os antigos amigos e a vizinhança coberta de neve. A perda é o principal tema de Funeral, que ganhou esse nome porque diversos parentes e amigos dos membros da banda morreram durante sua composição.

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Wilson, Daniel Clowes

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Em sua mais cultuada HQ, Mundo Fantasma, Daniel Clowes mostrou adorar os dilemas dos outsiders – aquelas pessoas que parecem não se encaixar nos planos de vida que a sociedade atual possui para um “cidadão modelo”. Em Wilson, o quadrinista apresenta o personagem título, outro de sua galeria de criações que tem uma forma bastante peculiar de levar a vida.

Na casa dos 40 anos, o cara não possui um trabalho fixo e nem sabe se relacionar de forma muito convincente com a maioria das pessoas ao seu redor. Extremamente sarcástico em relação à “normalidade” das pessoas, cínico e sem muito tato para lidar com as coisas da vida, Wilson possui um pai doente, uma ex mulher que não o suporta e uma filha que nem mesmo conhece direito.

E a HQ em questão acompanha o que parece ser uns 15 anos na vida desse homem. Embora tenha suas próprias convicções sobre como deve levar a vida e não se preocupe tanto (ao menos inicialmente) com o fato de o considerarem um ponto fora da linha, Wilson verá que é impossível levar a vida escarnecendo de tudo. E que há algumas necessidades que todas as pessoas, mesmo sem assumirem, precisam – como afeto honesto.

Apresentando seu protagonista de forma hilária – de início, nada de sua história pessoal nos é entregue, e Daniel Clowes mostra quem é esse figura apenas pelas “tiradas” que dá em seus vizinhos e em pensamentos sobre as coisas que o envolvem -, o autor arranca risos fáceis, com um texto rápido e muitas vezes, politicamente incorreto.

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Madonna – MDNA

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Existem álbuns que tudo o que você precisa fazer ao falar sobre é encontrar um fio condutor, aquilo que parece ser um fator comum à todas as canções e que lhe dá unidade. Algo que, enfim, faz com que todas as músicas, mesmo contando com pequenas diferenças, sejam identificáveis como pertencentes àquele compacto por guardarem alguma semelhança sonora ou temática. Ou que não tenham exatamente características formais comuns, mas que passam a fazer sentido dentro do todo conforme você ouve com atenção.

Madonna sempre fez isso muito bem e a gente nem precisa voltar tanto tempo assim na carreira da cantora para perceber. Confessions On A Dancefloor, pelo verniz de anos 70 e o fato de que todas as suas canções parecem continuidade uma da outra – mas sem que o álbum se torne monótono ou pareça pouco variado – é um bom exemplo disso. Mas, de uns tempos para cá, a Rainha do Pop parece ter perdido o jeito para tal e seus dois últimos registros, Hard Candy e MDNA, parecem somente coletâneas de músicas que não poderiam fazer menos sentido quando colocadas lado a lado.

Se no primeiro álbum citado isso não incomoda tanto porque existem momentos divertidos e que (quase) fazem sentido (como, por exemplo, a dobradinha She’s Not Me e Incredible), em MDNA é tudo tão fragmentado que tem-se a impressão que se trata de, pelo menos, uns três discos diferentes. Entre músicas ressentidas, disfarçadas por batidas modernas; poucas músicas onde realmente se ouve a voz de Madonna – que parece ter caído no esquecimento desde 2005, já que ela vem investindo muito mais em batidas do que em vocais -; e o clássico dance music, terreno onde Madonna se encontra e faz bonito, não conseguimos determinar se a cantora deseja soar atual ou retomar as suas raízes. E menos ainda colocar uma etiqueta no disco dizendo “ele pertence ao estilo x”, o que, nesse caso específico, é danoso.

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10 Fatos Sobre: Curtindo A Vida Adoidado

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Antes de dirigir Curtindo A Vida Adoidado (Ferris Bueller’s Day Off, 1986), John Hughes vinha de uma série de sucessos voltados para o público adolescente e que se passavam nos corredores de uma escola. Só para ficar na superfície, Hughes havia dirigido o ótimo Gatinhas e Gatões (Sixteen Candles, 1984) e roteirizado (apesar de muita gente atribuir a direção a ele) o projeto de Howard Deutch chamado A Garota de Rosa Shocking (Pretty In Pink, 1985). Com o seu nome consolidado e o seu talento reafirmado ele, porém, decidiu não se acomodar e entregou aquele que, ao lado de Clube dos Cinco (The Breakfast Club, 1985), é o seu filme mais icônico.

Em linhas gerais, Curtindo A Vida Adoidado conta a história dos amigos Ferris Buller (Matthew Broderick), Cameron (Alan Ruck) e Sloane (Mia Sara) que, um belo dia, resolvem matar aula para fazer exatamente o que o título do filme sugere: aproveitar a vida de um jeito menos quadradinho e mais condizente com a sua idade. Ferris finge uma doença para ficar em casa, se passa pelos pais dos outros dois companheiros de aventuras e, a partir daí, o trio vive as situações mais engraçadas e divertidas que um teen movie poderia oferecer.

Passeando pela cidade de Chicago numa Ferrari muito rara (propriedade do pai de Cameron, que eles pegam emprestada escondido), eles se tornam o centro das atenções num desfile, vão a museus, abusam da sorte fugindo do diretor da escola e da inveja da irmã de Ferris e ainda acham espaço para falar sobre o futuro, sobre como crescer é um processo dolorido e para demonstrar que são mais do que um bando de adolescentes folgados que decidiram fugir das suas responsabilidades. Ferris, Cameron e Sloane são personagens tridimensionais, apaixonantes e que a gente se pega lembrando com carinho sempre que o filme passa na Sessão da Tarde. Ou quando alguém faz umcomentário – de qualquer teor – sobre produções voltadas para o público adolescente.

E é por ser clássico absoluto e, até hoje, conservar o seu posto de um dos melhores filmes adolescentes de todos os tempos que hoje a gente lista dez curiosidades de bastidores tão legais quanto a produção.

Vem conferir o 10 Fatos Sobre: Curtindo A Vida Adoidado!

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