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Adeus, e obrigado pelos peixes!

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Oi, gente! Precisamos falar sobre o Kevin a Outra Página. Quando o site começou, há quase dois anos, nós, da equipe da Outra Página, havíamos retornado de uma pausa. Na época,o Miolão, nosso site primogênito, não foi adiante porque todos nós estávamos em momentos muito corridos de nossas vidas. Assim que as coisas acalmaram (faculdade,…
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Quinta Avenida, Cinco da Manhã, Sam Wasson

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Quem diria que Bonequinha de Luxo, um dos filmes mais icônicos da história de Hollywood, era visto como uma promessa de fracasso no começo de seu desenvolvimento? Ou pior ainda: que ele poderia nunca nem ter saído do papel? Quinta Avenida, Cindo da Manhã – Audrey Hepburn, Bonequinha de Luxo e o Surgimento da Mulher…
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Top 5: Maiores bitches do BBB

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Quem vê de longe, pode achar que elas são as mais odiadas, que elas foram chatas, que elas não mereciam nem serem lembradas pela participação no Big Brother Brasil.

Mas elas foram maravilhosas. Porque elas marcaram seu nome na edição do programa e estão marcadas até hoje no coração de todos os fãs do programa. Seja pelos barracos, pela vontade incontrolável de falar o que pensavam (e até o que não pensavam), por provocar vários participantes (ou até a casa inteira) e por vencer paredões (ou não).

E elas mandam um recado para os participantes da edição que acabou de começar e para as outras que virão: WORK, BITCHES! Porque superar as 5 bitches desse Top 5 vai ser difícil, viu?

Quer saber quem são elas? Clica aí no Continue Reading e se delicie.

5. Ana Carolina (BBB 9)

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Ana Carolina parecia que não renderia na nona edição do programa. Ela parecia deslocada, mimada, chata, que não se relacionaria com ninguém. E tirando a vovó Naiá, sua confidente e amiga no programa, Ana ficou isolada mesmo. E por conta disso, Ana Carolina foi a recordista de paredões no programa.

Mas se a sua aparência de menina mimada atrapalhava sua convivência na casa, Ana estava sempre disposta a falar o que pensava, com ou sem estratégia, com filtro ou sem filtro, despertando o ódio de um grande grupo da casa, sempre pronto para emparedá-la.

E ela ganhou o posto de maior bitch da edição (e um lugar nesse Top 5) por, principalmente uma atitude: jogar sabão em pó nas formigas. Com uma infestação de formigas no jardim da casa, Ana era sempre a mais afetada e picada pelos insetos. E como ela resolveu solucionar o problema? Pegou todo o sabão em pó da casa e saiu jogando na grama. Matou as formigas? Óbvio que não e garantiu mais um paredão para ela na casa.

Veja Ana matando formigas. 

4. Analy (BBB 7)

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A sétima edição do Big Brother Brasil foi uma edição que marcou pela divisão da casa em dois grupos bem distintos e pela trajetória de um “casal apaixonado”. Diego Alemão e Iris eram o casal da edição e Alberto Caubói, sabendo que isso seria bem visto pelo público aqui fora, armou com (quase) todo o resto da casa para colocar os dois no paredão.

Mas não foi Alberto que conseguiu fazer o tão sonhado paredão Siri x Alemão e sim sua aliada e maior bitch daquela edição: a DJ Analy. Se fazendo de sonsa até ali, comendo pelas beiradas e falando mal das pessoas de vez em quando, mas sempre tentando manter a pose de santa, Analy passaria despercebida na edição, se não fosse por um fato: o veto.

Em um dos paredões, Analy ganhou o direito de vetar ou não a indicação do anjo, que era Siri. Siri tentou proteger seu “namorado” e Analy, dizendo que queria proteger sua outra amiga, Fani, soltou a maravilhosa frase EU VETO SIM, BIAL.

Puro amor por uma das protagonistas de um dos maiores paredões da história <3. Veja

3. Lia (BBB 10)

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Talvez Lia merecesse um Top 5 só com maiores barracos dela na casa. Talvez Lia tenha sido a barraqueira de raiz de todas as edições do programa. E por que? Porque ela brigou com praticamente todo mundo da sua casa, aliados ou não.

Revoltada quando recebia votos, triste quando quem ela achava que os outros passariam a mão na sua cabeça e eles não faziam isso, possessa quando alguém a chamava de falsa, Lia estava sempre pronta para colocar o dedo na cara de quem a incomodasse, soltando a célebre frase OLHA NO MEU OLHO e gritando muito.

E quando ouvia o que não queria ou que não concordasse, ela fazia o quê? Como toda bitch, começava a chorar e a se fazer de vítima. E jogava o resto da casa inteira contra aquela pessoa.

E sendo mais bitch ainda, nossa querida participante, ainda é acusada até hoje pelos detratores, de ter feito um xixizinho durante uma prova de resistência que venceu. O que nunca foi provado, porque uma bitch sempre faz o serviço completo.

Como toda boa bitch, Lia ficou com o quarto lugar rs

Veja um dos muitos barracos de Lia 

2. Marcela (BBB 4)

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Marcela começou sendo um pouco bitch antes de entrar no programa. Quando os participantes da quarta edição do programa ainda estavam no confinamento do hotel, a moça reuniu as meninas e disse que elas deveriam se unir, para eliminar todos os homens e alguma mulher vencer o programa – até ali, só tínhamos tido homens vencedores.

Quando chegou na casa, sua colega de confinamento, Juliana, vestiu sua máscara de Sônia Abrão e contou pra geral o que Marcela havia dito. Aí, nossa Mama se uniu com Tatiana e Antonella, fez barraco já na primeira semana com Juliana, dividiu a casa e negou que havia dito tudo aquilo.

Depois da saída de suas aliadas, Mama precisava sobreviver no jogo. E fez o quê? Ficou melhor amiga de Juliana, até então a favorita a vencer o programa (Ju venceu 6 paredões no programa, um recorde até ali).

E ainda nos proporcionou aquele barraco gostoso com Solange, que a gente guarda no coração para sempre.

1. Tina (BBB 2)

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Tina, de todas a bitches que fazem parte desse Top 5, é a que mais marcou seu nome na história do programa. Participante da segunda edição do programa – em um tempo que ninguém tinha muita noção de como tudo funcionava, apesar de já termos uma edição –, Tina brigou com praticamente todo mundo da casa, apontou o dedo pra uma galera falando verdades, criou apelidos pros desafetos e bateu panelas.

Bateu muitas panelas, diga-se de passagem. Irritada com um dos grupos da casa e acusando todos de terem mexido nas suas coisas, Tina espalhou a roupa de todo mundo por toda a casa. E fez melhor: depois de ter sido votada, acordou pela madrugada, se aproveitou que praticamente todos da casa dormiam e começou a bater panelas por toda a casa, gritando AI, AI, AI, AI, EM CIMA, EM BAIXO, PUXA E VAI, BRASIL!, acordando a todos e atrapalhando a harmonia de toda a casa.

Isso tudo na segunda semana de confinamento.Tem como não amar? Tem como não ter uma bitch melhor?

Veja Tina batendo panelas. 

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Whiplash – Em Busca da Perfeição

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Um dos feitos mais notáveis de Damien Chazelle em Whiplash – Em Busca da Perfeição (Whiplash, 2014) é conseguir imprimir toda a tensão e intensidade de um thriller numa história sobre o desenvolvimento de um jovem músico e fazê-la funcionar mais ou menos como um acidente de carro ou alguma outra tragédia cotidiana: é brutal e horrível, mas você não consegue desviar os olhos quando esbarra com uma porque a curiosidade mórbida é maior do que o bom senso.

Agregando características de diversos longas que tratam a busca pela grandeza – do delírio e loucura de Cisne Negro (Black Swan, 2010) ao ritmo de filmes esportivos, cheio de altos e baixos -, Chazelle conduz uma narrativa sobre obsessão e compulsão. Sobre o que acontece quando muita importância é colocada em um setor da vida e este ofusca todo o resto; e distorcendo a relação entre aprendiz e mestre das formas mais feias possíveis, o diretor consegue exercer um tipo de atração bizarra, na medida em que nos sentimos constantemente incomodados e enojados com algumas das sequências de Whiplash, mas o filme é magnético pelo controle da técnica demonstrado por um diretor ainda tão jovem e pela crueza com que Damien trata o seu tema.

Porque, sim, existem diversos longas que se dedicam a abordar a história do estudante que desafiou a tudo e todos para atingir o seu potencial pleno. Mas Whiplash é quase intransigente pela alta carga de energia oferecida e pela rigidez da direção e do roteiro, que se recusam a oferecer qualquer momento de sentimentalismo falso.

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A Balada de Adam Henry, Ian McEwan

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Uma das frases, dessas de críticas de jornais famosos, que a contracapa de A balada de Adam Henry contém, diz que ele é um livro para ler em um fôlego só. Ao se deparar com isso, o leitor pode pensar que trata-se de uma mera frase que a editora colocou ali para vender mais ou…
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Paula Toller – Transbordada

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Em entrevista recente, Paula Toller disse que estava entediada com os rumos que suas apresentações solo ao vivo estavam tomando. Dizendo que tudo parecia estar ficando “elegante” demais – talvez pela influência de seu álbum SóNós, de 2007 -, declarou que seu novo repertório a permitiria, ao vivo, ficar descalça, gritar, dançar. E assim, em Transbordada, lançado no finalzinho do ano passado, a loira mudou um pouco as coisas.

A sisudez ficou mesmo de lado. Para mostrar sua atitude desencanada, Paula fracionou bem as medidas: trouxe um pouco de pop chiclete, uma pitada de dance brincalhão, um tantinho de rock (ou pelo menos a tentativa de emular a postura roqueira) pra agitar as coisas. A abertura, com a deliciosa Tímidos Românticos – a cara do pop funkeado que a gente ouvia nas rádios brasileiras na década de 90 -, anuncia “bons ventos”, “caminhos abertos” e “estrela boa”, numa declaração de amor fascinada e que, sem querer, mostra o que esperar das próximas faixas.

Nos outros nove registros, Toller é quase sempre otimista, versando sobre amor ou sobre a vontade de agarrar a vida, aproveitar o presente. Pendendo em maior ou menor quantidade para os ritmos supracitados ou se encaixando num meio termo agradável, as faixas te levam fácil e contagiam com esse astral positivo. Já Chegou a Hora é outra que gruda em você até não poder mais, com sua vibe “Flower Power” cheia de palminhas e “woohoos!”; Ohayou, meio britpop, passa uma sensação gostosa de vento na cara e euforia, trazendo uma energia mais forte, de banda.

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Livre

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No verão de 1995, Cheryl Strayed (Reese Whiterspoon), uma mulher de 26 anos, decidiu caminhar por toda a duração da trilha Pacific Crest. Completamente sozinha e sem ter qualquer experiência anterior com trajetos semelhantes, ela, atormentada por diversos demônios do passado, recorreu a essa jornada para reencontrar a si mesma depois de anos de comportamento autodestrutivo e eventos trágicos ocorridos em sua vida.

A história (real) da moça é bastante interessante. Mas quando levada às telas por Jean-Marc Vallée, soa como algo bem intencionado, mas equivocado e ocasionalmente espalhafatoso, características que podem ser problemáticas numa história de redenção espiritual e que, quando somadas ao fato de que nunca nos conectados realmente a Cheryl – o que não é culpa de Reese Whiterspoon, mas da artificialidade de algumas sequências –, fazem com que Livre (Wild, 2014) se torne superficial e carente de um significado genuíno.

Bifurcando a sua narrativa e nos apresentando aos poucos os demônios da sua protagonista, Vallée entrecorta a caminhada de Cheryl com flashbacks de seu passado de uma maneira didática: fragmentando as lembranças da personagem de acordo com as situações que vivencia na trilha – por exemplo, em um momento de tensão, ela se lembra de uma situação dolorida; em sequências onde ela se encontra em paz, voltam memórias felizes da sua infância -, o diretor parece querer manipular transformando as dificuldades de Cheryl no deserto numa espécie de metáfora para toda a sua vida, mas falta a isso profundidade porque é tudo óbvio e mastigado.

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Cartas Extraordinárias, Shaun Usher (org.)

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Eu já contei por aqui que tenho fascínio por cartas, pelo nível de universalidade que algo tão íntimo como uma delas pode trazer. Então, quase pirei de empolgação quando me deparei com a compilação Cartas Extraordinárias, que ainda atiça ainda mais a curiosidade com aquele subtítulo maroto: “A correspondência inesquecível de pessoas notáveis”. A obra,…
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Charli XCX – Sucker

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BOOM CLAP! Parece que foi com a rapidez de uma palma que Charli XCX passou da jovem outsider que misturava diversos gêneros musicas de seu primeiro disco, True Romance, para a adolescente arruaceira e meio punk rock de seu sucessor, Sucker.

A mudança não foi bem recebida por todos os seus fãs: grande parte deles se pôs contra seu novo estilo nas redes sociais, levando a moça a fazer até mesmo um caloroso desabafo no Twitter, em que dizia que os “suckers” são todos aqueles que não compreendem que um artista muda de ares de vez em quando. Eles argumentaram que ela estaria apenas querendo vender e abraçar o público americano, mudando quem é só para agradar essa galera; ela rebateu que eles “não estavam entendendo nada…”

…e prosseguiu firme, até que seu segundo álbum chegou às lojas, comprovando que os novos haters provavelmente não estavam sacando a coisa toda mesmo. Porque não é difícil reparar como Sucker é espontâneo e sincero quanto ao que deseja mostrar. Apesar de ser realmente mais comercial e muito mais “bobo” do que seu antecessor, tem diversas virtudes que o debut da morena não possui. Repleto de inconsequência juvenil, Sucker é orgulhoso e mais coerente do que True Romance.

É como se a persona antiga de Charli tivesse ligado o foda-se e decidido sair por aí fazendo arruaça, se divertindo acima de tudo e sem se preocupar seriamente com nada.  A segurança da moça transparece nos registros, e não soa forçada; ela mostra as influências que absorve com mais clareza – principalmente o pop/punk rock dos anos 80 e 90  -, abraça a despretensão de suas composições e faz a gente ignorar que algumas coisas soam pra lá de bobas, convidando para entrarmos na bagunça (com êxito).

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Jane The Virgin

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Caricato, canastrão e forçado são alguns dos adjetivos possíveis para definir Jane The Virgin¸ série que estreou no fim do ano passado na CW. E se em outros produtos essa trindade de predicados seria considerada defeito, motivo suficiente para que você se mantivesse afastado, nesse caso, trata-se de qualidades. Daquilo que faz o seriado despontar como uma das promessas da sua emissora.

Adaptada da novela venezuelana Joana, a Virgem, a versão norte-americana conta a história de Jane Villanueva (Gina Rodriguez), uma moça de 23 anos, virgem (jura?), que engravida acidentalmente quando é inseminada por engano com o esperma do seu chefe playboy e casado. Partindo desse ponto, conhecemos a vida da personagem título, as suas ambições, a sua família e diversas coisas dignas da teledramaturgia hermana, por muito mais do que o surreal do enredo.

O mais legal de tudo é que os responsáveis pelo programa não parecem interessados em transpor Jane The Virgin para uma estética mais familiar aos espectadores de séries americanas. Isso se torna claro pela ambientação meio brega mesmo quando tem a função de ser opulenta, como no caso do hotel de Rafael (Justin Baldoni), o pai do bebê de Jane; pelas constantes referências à cultura latina, clarificadas pelo vício da protagonista e de sua avó em telenovelas sem nexo, bem como a paixão de Xiomara (Andrea  Navedo) pela cantora Paulina Rubio e porque não há ali pretensão de seriedade.

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3 Momentos: Robyn

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No mundo pop ou fora dele, não existe artista como Robyn. Porque Robyn consegue ser, ao mesmo tempo, a síntese do que é pop e também a antítese desse universo.

Ela corre à margem do sucesso e da fama de outras cantoras do gênero, mas por ser solta como é e desprendida de resultados comerciais, não só as alcança como as ultrapassa – e, no trajeto, cria sons que se conectam diretamente a seu tempo e soam destoantes de tudo o que costuma rolar por aí.

Sem se importar se está a três passos à frente ou à quinze km atrás, a sueca de trinta e cinco anos dita seu próprio ritmo e dança (e canta) sua própria música como se ninguém estivesse olhando. E quando ela se dá conta que estão vendo, ela canta mais alto, fala palavrão e se impõe, buscando seu lugar no grito.

Tirando suas influências no R’n’B praticado nos anos 90, na música folclórica de seu país, no dancehall jamaicano, no eurodance, e na e-music, e no pop em sua forma mais pura, Robyn soa autêntica e cativante sempre que dá as caras.

Uma popstar sem cara de popstar. Uma compositora esperta. Uma vocalista com um timbre diferente. Uma artista, inteira e completa, dessas que não cabem em caixinhas. Dessas que, quando a gente cola um rótulo, ele se descola e aparece outro e depois outro e depois outro.

Dessas que são únicas.

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Garota Exemplar

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O whodunit (em tradução livre, “quem matou?”) é um recurso bastante comum em histórias de terror e suspense. Consistindo em manter a curiosidade do público acerca do autor de um determinado assassinato – que, por sua vez, é de conhecimento do espectador desde os primeiros minutos do filme -, ele funciona como maneira de desencadear uma investigação e, ainda que sem intenção, de criar pistas falsas, que levariam o público na direção errada, enquanto o verdadeiro culpado permanece acima das suspeitas até o momento em que alguma espécie de progresso – motivado por uma pista que sempre esteve ali, mas o detetive falhava em perceber – leva a resolução do crime.

David Fincher, o diretor de Garota Exemplar (Gone Girl, 2014), não é nenhum estranho a isso. Desde o começo de sua carreira ele conta histórias ligadas a serial killers metódicos. De Seven – Os Sete Crimes Capitais (Se7en, 1995) a Millenium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres (The Girl With The Dragon Tattoo, 2011) o diretor jogava com o whodunit de uma maneira que faria Alfred Hitchcock sorrir e balançar a cabeça afirmativamente. Mas, em seu último filme, isso mudou.

Ainda trazendo um mistério – relacionado à bela Amy Dunne (Rosamund Pike), que no dia do seu quinto aniversário de casamento desaparece de casa sem deixar muitas pistas – e tornando-o o responsável por desencadear a ação de Garota Exemplar, o diretor não parece mais interessado em manter as nossas sobrancelhas arqueadas por esconder a identidade de seu assassino. Ele a entrega no meio da projeção e parte em busca daquele que seria o verdadeiro interesse do seu longa: análises.

E essas, por sua vez, são muito mais amplas do que se poderia pensar num primeiro momento da história. Assumindo um tom um pouco afetado (corroborado pela trilha sonora, a única coisa que denuncia que algo está errado), David Fincher fala a respeito do casamento enquanto algo que pode trazer à tona o que existe de pior em duas pessoas; do papel da sociedade em julgamentos criminais que se tornam públicos; da mídia enquanto algo capaz de fabricar um culpado e de criar novas personalidades para os envolvidos em casos do tipo; do american-way-of-life e da acomodação que ele pode trazer consigo; e, claro, da mente de um psicopata.

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Alice Caymmi – Rainha dos Raios

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Quem vê Alice Caymmi serena na capa de Rainha dos Raios, seu segundo disco, nem imagina como ele, que saiu no finalzinho do ano passado, é – com o perdão do trocadilho – eletrizante.

A artista já havia lançado um álbum homônimo anteriormente, que sem se apegar às tradições de sua família (sim, ela é neta de Dorival Caymmi e sobrinha de Nana), trazia uma MPB eletrônica repleta de ambientações. Nesse novo trabalho, a moça vai mais longe na experimentação, e assim,  chega ainda mais perto de uma identidade só sua.

Pesando um pouco mais no eletrônico, utilizando elementos do trip-hop e se encaixando mais no pop no que diz respeito à abrangência de sons que apresenta, Alice construiu um disco que traz, na mesma medida, força e vulnerabilidade: nos arranjos grandiosos, nas composições enfileiradas e nas interpretações da loira – com sua voz grave e teatral. E possui ainda coragem não só na escolha de músicas, que quase sempre fogem do óbvio, como também na forma com que a cantora as desconstrói.

Das nove músicas que Rainha dos Raios apresenta, sete são versões. Mas por aparecerem bem diferentes das originais, o CD não deixa aquela impressão de que se trata de “mais um álbum de covers”. Alice traz tudo para o seu mundo meio turbulento e imprevisível, e dessa forma, consegue fazer com que o funk melody de MC Marcinho – Princesa, com um dedilhar meio circense na releitura -, caiba muito bem ao lado de Meu Mundo Caiu, música cartão de visitas da cantora Maysa, e que com Alice se tornou um bolero atualizado, meio western (!).

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How To Get Away With Murder

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Contando o cotidiano de um grupo de estudantes de Direito contratados para trabalhar ao lado de Annalise Keating (Viola Davis sendo fantástica, como sempre), uma brilhante advogada e professora, How To Get Away With Murder é exatamente aquilo que se poderia esperar de um thriller policial. Sem surpresas ou preocupação com criar algo dentro de uma fórmula já conhecida e utilizada em tramas do tipo.

Há ali algo de The Killing, dos casos mais interessantes de Law & Order SVU e há também a velocidade de Scandal. E mesmo que esses elementos já não sejam novidade, eles continuam funcionando: ao fim do piloto – entrecortado por flashbacks dos três meses que antecederam a primeira cena, na qual o grupo de alunos de Annalise enterra um corpo numa floresta – você vai estar se perguntando como aqueles jovens ambiciosos e certinhos acabaram naquela posição; e curioso para acompanhar as mudanças sofridas pelos personagens até que eles, quase modelo de perfeição, chegassem ali.

Essa curiosidade, porém, não vem da certeza de que alguma surpresa te aguarda mais à frente. Ela vem do fato de que tudo vai caminhar exatamente como o esperado: você vai descobrir, aqui e ali, alguns segredos de personagens secundários; tramas aparentemente independentes vão se cruzar e mostrar que, na verdade, era tudo parte de uma “grande conspiração”; os protagonistas vão colocar as suas necessidades na frente do que é correto e se tornar anti-heróis; e Annelise Keating, tão impenetrável e misteriosa, surgirá como uma mulher vulnerável e cheia de falhas graves. E, acredite: você vai querer saber tudo isso, por mais que revire os olhos em alguns momentos.

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