É Natal – ou quase!

natal

Já chegou aquela época do ano em que a gente põe a vida no pause pra comer, dormir, comer, dormir, ficar bêbado, aturar parente chato e ganhar presentes. E já chegou aquela época do ano em que a Outra Página faz uma pausa para as festas (risos) e se despede, temporariamente, de vocês, leitores queridos.

A gente queria agradecer pela paciência ao longo desse 2014, que foi cheio de contratempos para a equipe do site e, por isso, diminuiu bastante a frequência de posts. Mas vocês, fofos a vida inteira, continuaram ali e sempre que a gente voltava, fosse do hiato 1 ou do 400, recebiam a gente da mesma maneira calorosa, comentando pelo Facebook, pelo site ou até mesmo mandando mensagens na inbox.

Então, muito obrigada por tudo! Pode parecer clichê, mas se não fosse vocês, a gente não teria o mesmo ânimo para continuar escrevendo e tentando ser criativo no que faz.

Para vocês – e para a gente! – não sentir tanta saudade assim, daqui até o dia 31 vamos tentar fazer uma espécie de “Retrospectiva 2014″ do que rolou na Outra Página. Vamos postar os textos mais lidos de cada coluna e alguns que não foram tão sucesso assim, mas que a gente curtiu escrever e acha vocês vão gostar de relembrar.

No dia 01/01/2015 retornaremos com as nossas listas de Melhores do Ano que, já adiantando pra vocês, tem a cara de tudo o que nós fizemos até aqui.

Feliz Natal e Ano Novo e que 2015 seja um pouco menos conturbado! E pras inimiga a gente queria dizer que somos que nem Malhação: quando vocês acham que vai terminar, a gente volta com mais uma temporada (só que a gente volta melhorado).

Vários Artistas – Begin Again (OST)

ostbegin

A maneira como John Carney, o diretor de Mesmo Se Nada Der Certo (Begin Again, 2014), usa a música em seus filmes faz com que ela seja a verdadeira estrela das histórias que conta.

Através de pequenas crônicas (nesse caso, quase todas compostas por Gregg Alexander, do New Radicals), o diretor usa das canções para transmitir a personalidade de seus personagens, o clima de seus filmes e para cumprir boa parte da função narrativa, de forma que os seus atores não precisam se preocupar em verbalizar muita coisa porque está tudo impresso em cada acorde bem cuidado das faixas.

E se em Apenas Uma Vez (Once, 2008) isso já cativava, em Mesmo Se Nada Der Certo, as coisas são exponenciadas pelos temas presentes nas canções, mas também pela escolha dos interpretes, o que evidencia a crítica ao excesso de produção presente na música recente e o quanto isso, por vezes, apaga traços genuínos.

Ouvimos na trilha sonora canções nas vozes Adam Levine e CeeLo Green; e as faixas cantadas pelos músicos experientes entram em contraste direto com aquelas interpretadas por Keira Knightley, que faz do disco o seu debut enquanto cantora.

Essa escolha de John Carney acentua a polarização presente em versões de uma mesma música e empreende discussões pontuais a respeito daquilo que, verdadeiramente, provoca alguma espécie de emoção/reação em quem escuta.

Continue lendo

Kids

kids

[ATENÇÃO: é possível que o texto contenha alguns spoilers. Depende do que você entende como spoiler.]

Em uma análise mais desatenta de seu conteúdo, Kids (Kids, 1995) passa como um filme que acompanha uma série de eventos aleatórios na vida de um grupo de adolescentes e, através desse recorte, discute a busca do prazer em estado bruto, sem muitas amarras ou filtros, enfatizando sempre a característica hedonista de seus personagens.

Por isso, durante a projeção, vemos sequências inteiras que consistem em Tally (Leo Fitzpatrick), o “protagonista” do longa, comentando as suas relações sexuais com garotas que acabaram de entrar na adolescência; o descaso das personagens pelos sentimentos alheios quando estes entram em conflito direto com os seus desejos; o consumo de drogas, lícitas ou não, em contextos puramente recreativos; e práticas violentas, que têm como intuito somente a autoafirmação e, sob a ótica dos jovens retratados – todos inseridos numa região violenta de uma grande cidade e vindos de famílias quebradas –, a diversão.

Mas, quando você se permite ir um pouco além do que está na superfície, nota que aquilo que parece um olhar cru sobre um grupo específico de pessoas, assim como um retrato bastante fiel da juventude inserida num contexto semelhante ao enfocado, se torna descuidado e tropeça em seus propósitos por, constantemente, punir os personagens.

A título de exemplo, é possível citar Jenny (Chloë Sevigny). Ela faz sexo pela primeira (e única) vez com Tally e acaba contaminada pelo HIV; e quando parte em busca do rapaz para informa-lo a respeito dos resultados de seus exames, em sequências que refletem a absoluta falta de informação da moça acerca das possibilidades de controle do vírus e de melhorias na sua qualidade de vida enquanto portadora da doença, acaba sendo vítima de um estupro do qual sequer tem consciência, uma vez que se encontrava desacordada devido ao consumo de drogas – que, na visão da personagem, seriam uma medida paliativa para o sofrimento que vivenciava.

Continue lendo

Nick Jonas – Nick Jonas

Nick-Jonas-Nick-Jonas-Deluxe-2014-1000x1000

Nunca gostei dos Jonas Brothers. Aquela postura casta e meio sonsa deles, aliada ao som mais sem graça do que água de salsicha, sempre falhou em chamar minha atenção. Inclusive, se até hoje ouvi duas músicas do trio inteiras, foi muito. Então, dá pra perceber que não foi meu interesse nos rapazes, muito menos no que eles faziam, que me fez chegar ao CD de Nick Jonas, o irmão do meio. O motivo que me fez escutá-lo é muito simples: a piroca do cantor.

O rapaz tem formas nada complexas, mas bem eficazes de chamar a atenção pro seu trabalho. Apresentação em programa de TV? Show surpresa? Que nada! O lance é malhar pra esfregar o abdômen sarado na cara da galera, dar uma apertadinha marota no rocambole em ensaios fotográficos pra mostrar que cresceu agora é mulher e tem que encarar com muita fé e que o rapaz puro da adolescência ficou pra trás. Nick ressurgiu como um cara sexy e safadinho e, que vergonha!, eu caí como trouxa na estratégia: só assim quis dar uma chance pra sua música. Afinal, se o corpão e a postura mudaram, era bem possível que o som também, não é?

A música, porém, era consequência. E quando ouvi o disquinho pela primeira vez – esperando bomba -, pensei que se alguma coisa me agradasse já estaria no lucro. Mas o fato é que me surpreendi demais com o que ouvi – uma surpresa tão boa quanto aquela que tive com suas fotos de cueca branca, pulando de repente na minha timeline. Porque o CD de Nick é um ótimo disco pop. E até a postura mega exibida do rapaz faz sentido quando a gente o escuta. Não que precisasse de tanta ostentação – tá aí Justin Timberlake, tão sensual quanto e mais “comportado”, que não nos deixa mentir – mas é como se a pseudo nudez do rapaz fosse uma extensão do disquinho, muito sensual/sexual.

Deixando pra lá o pop rock adolescente e enveredando pelo pop/R&B moderninho e funkeado, Nick versa basicamente sobre amor, sexo e atração. Quase todas as faixas tem essa atmosfera de approach, de paquera, passam a impressão de que o rapaz está querendo envolver alguém no seu jogo, declarando seu amor/tesão por essa pessoa ou qualquer coisa do tipo.

Continue lendo

Academia de Drags

academiaposter

Antes de falar a respeito de Academia de Drags, o reality show estrelado por Silvetty Montilla, é preciso tirar o elefante da sala: sim, o formato do programa foi claramente inspirado em RuPaul’s Drag Race. Se baseando no que a lendária drag queen norte-americana realizou, Silvetty pegou emprestados para a sua Academia alguns dos mini-desafios já conhecidos do público do Drag Race; o formato das eliminações e o objetivo de sua busca – que consiste em encontrar uma performer que seja completa.

Mas, mesmo com todas semelhanças, o que grita mesmo entre Academia de Drags e RuPaul’s Drag Race – e aquilo que faz com que, em comparação, o primeiro sofra críticas duras em redes sociais – são as diferenças.

Porque enquanto o segundo programa soa como algo inovador, que deseja abordar todos os aspectos do que é ser uma drag queen – tanto em termos de criação de personagens quanto no tocante a como essas artistas são encaradas pela sociedade -, o reality liderado por Silvetty Montilla parece preso a valores que RuPaul se apressa em desconstruir.

Existe em RPDR uma diversidade que não soa forçada. E essa diversidade, por sua vez, vai além da tentativa de incluir queens plus size em todas as temporadas. Ela está ligada a valorização dos diversos tipos de drag existentes no mundo. Porque alguns, mais leigos, podem até ter uma ideia de que essas performers são apenas homens vestidos como mulheres, usando maquiagens exageradas e perucas grandes, mas vai além e, por isso, não dá para colocar todas as artistas numa mesma caixa e exigir delas esse ideal ultrapassado.

Continue lendo

Paolo Nutini – Caustic Love

paolo

A segunda metade dos anos 2000 vivenciou uma retomada da soul music e um domínio de álbuns com letras altamente confessionais. Nesse cenário habitado por mulheres, Amy Winehouse, Duffy, Adele (só para citar três nomes) surgiram e alcançaram sucesso de crítica e vendas pelo mundo. Não chegando às rádios como as moças supramencionadas, mas se destacando, Paolo Nutini conseguia chamar a atenção pela sua pouca idade, pela intensidade de suas letras e pela boa produção que seus discos possuíam.

Oito anos depois do lançamento do seu primeiro disco (These Streets) e depois de dois anos de turnê com o seu segundo trabalho (Sunny Side Up, de 2009), o escocês retornou aos estúdios para a gravação do terceiro disco de estúdio.

Caustic Love nasceu de um período de desavenças nunca confirmadas com a gravadora (o cantor havia declarado em entrevistas, antes do disco ser gravado, que ele seria de punk rock) e se mostra como um trabalho mais maduro que os anteriores. O título do disco é bastante significativo: o amor corrosivo, o amor cáustico, vai permear as canções do álbum. Sem soar piegas, Paolo usa esse sentimento como combustível para entregar canções que falam do tema de uma forma que busca não soar melancólica demais.

Continue lendo

Cena: Planeta Terror

cherry

Planeta Terror (Planet Terror, 2007) faz parte de uma trilogia (em que os filmes não possuem qualquer conexão) realizada por três diretores distintos e este segmento ficou por conta de Robert Rodriguez – que consegue, sem dificuldade alguma, prender a atenção de que assiste ao seu longa.

O filme aborda um tema um tanto conhecido (para não dizer batido e soar ofensiva): o apocalipse zumbi. Talvez isso já te faça perder um pouco do interesse, exatamente pelo fato de que você já deve ter visto algo sobre o assunto mais de uma vez. Mas, mesmo que seja esse o caso, Planeta Terror dá conta de tratar o “fim do mundo” por uma perspectiva maravilhosa, deixando a coisa toda com o nível máximo de trash – uma das características marcantes de Robert Rodriguez e um dos pontos-chaves da cena que a gente comenta hoje.

No momento em questão – que acontece nos minutos finais do filme – Cherry (Rose  McGowan) e Wray (Freddy Rodriguez) lideram um grupo de civis que tenta sobreviver ao apocalipse zumbi. O diferencial supracitado é que, além do fator “zumbis” já ser algo completamente irreal e presente apenas na nossa fantasia (que, pelo tanto de produções se dedicando ao tema, quase parece um desejo mórbido), as cenas de perseguição são exponenciadas tanto exagero caricato.

Por exemplo, na sequência em questão, Cherry sai de um galpão sentada na garupa da moto de Wray e, usando a sua perna “feita” de uma metralhadora, começa a disparar tiros para todos os lados. E quando você acha que a loucura toda se encerra na arma da moça, se engana porque a sincronia entre a dupla dá conta de fazer essa cena ser engraçada e te ensina que, quando o assunto é Planeta Terror, dá para esperar de tudo. E aí, quando Cherry sai correndo (!) com a sua perna de metralhadora, pulando (!!) e voando (!!!) por vários metros usando apenas impulso e muita força de vontade, a cena mantém o seu efeito cômico e vibrante.

Continue lendo

She & Him – Classics

shehim

O que faz uma canção ser um clássico?

Essa pergunta pode ser respondida de diversas maneiras: vendas expressivas; semanas em primeiro lugar em qualquer parada de sucesso; o fato de que o primeiro acorde já é o suficiente para que a faixa seja reconhecida; o impacto que a canção teve em uma geração…

É possível pensar num sem-fim de respostas. Mas, para Zooey Deschanel e M. Ward, os membros do She & Him, é tudo bastante simples: uma canção clássica é aquela que traz um tema universal. E, no caso do último compacto da banda, Classics, essa universalidade fica por conta do sentimento comum às 13 standards que compõe o álbum: o amor.

Sem a intenção de inovar ou se distanciar do som que já produzia, o She & Him passeia confortavelmente por décadas – de 1930 a, pelo menos, 1960 – evocando com maestria a atmosfera retrô que cada uma das canções parece pedir e consegue te prender desde os primeiros momentos de Stars Fell On Alabama.

Classics é encantador em sua simplicidade e no cuidado com a produção – que para se manter o mais fiel possível a outros tempos, conta com o auxílio de uma orquestra composta por baixos, cordas, piano e bateria. E também nos seus altos e baixos, mais ligados a temática do que a estrutura do disco.

Continue lendo

Put Some Farofa, Gregorio Duvivier

gregorio

Gregorio Duvivier, além de possuir dois livros de poemas em seu currículo, acumula outros feitos que comprovam que sua ligação com a escrita é muito positiva e proveitosa para o leitor, como os roteiros do Porta dos Fundos – aqueles escritos pelo cara, geralmente, são alguns dos mais inteligentes do canal – e também sua coluna na Folha de São Paulo, que tem ganhado cada vez mais projeção com suas críticas cotidianas e bom humor.

O recém lançado Put Some Farofa, editado pela Companhia das Letras, traz tanto alguns desses conteúdos como também críticas e pequenos textos de ficção inéditos do rapaz. É uma mistureba de formas, opiniões, temas e afins que, com o perdão do trocadilho, só falta a farofa. (ba-dum-tss!). Mas não pense que tudo é uma bagunça: percorrendo suas bagagens, o autor se faz entender sem grandes dificuldades.

Dividido em quatro partes, o livro segue algumas linhas distintas. Na primeira, “Grandes, Pequenos e Gigantescos”, Gregorio explora mais as crônicas – geralmente cheias de desencontros amorosos e um toque um tantinho creepy (um tantinho repetitivo, inclusive, mas hilário), com personagens exageradamente dados ao romance. Outro segmento, entitulado “Cruzada Elucidativa Em Favor da Família Brasileira”, é mais provocativo, com observações aguçadas do dia a dia, da política e da galerinha da “moral e dos bons costumes”. E enquanto “Put Some Farofa” traz Gregorio desconstruindo sua escrita – ele até se arrisca, em determinada crônica, a emular o estilo de escritores famosos da nossa tradição -, “O Mundo Paradinho Tem a Maior Graça” é repleto de referências globais que trazem o mundo para os textos do autor de um jeito bastante ágil.

Continue lendo

3×4: Donato

wagner

Nome: Donato
Idade: uns 30?
Apareceu em: Praia do Futuro (2014)

Praia do Futuro (2014) é daquele tipo de filme que tem a cara do seu diretor, o cearense Karin Ainouz. Assim como já havia demonstrado em filmes como O Céu de Suely (2006) ou O Abismo Prateado (2011), Karin conduz as cenas com silêncios. Os diálogos dão lugar, na maioria das vezes, a ações e sons que além de complementar as cenas buscam dizer mais que as palavras ditas pelos personagens. O ‘som ao redor’ ( desculpa, eu não consegui pensar em termo melhor) importa e contextualiza cada cena dos filmes do diretor.

Em Praia, esse recurso é levado a sério. O diretor usa os barulhos e sons como aliados importantes para contar a história de Donato, um salva-vidas cearense que se apaixona por um alemão (que é amigo de um homem que ele não conseguiu salvar) e por conta desse amor, se muda para a Alemanha e larga tudo parar trás.

Vivido por um Wagner Moura entregue ao papel, Donato é o personagem que conduz a história, ao mesmo tempo que vai mostrando, pouco a pouco, as nuances de sua personalidade, conforme os capítulos do filme (que é dividido em três) avançam.

Num primeiro momento, o salva-vidas se mostra um homem preocupado com a família e com o exercício da sua profissão, mantendo uma boa e saudável relação com seu irmão mais novo, quase como se fosse um pai. Conforme vai se apaixonando pelo alemão e decide visitá-lo, seu perfil vai mudando. No país europeu, Donato pode exercer sua sexualidade com mais liberdade que no Ceará, e é esse um dos fatores que o leva a decidir ficar na Alemanha

Continue lendo

Top 5: Filmes inesperados que passam na “Regra de Bechdel”

top5topo

Caso você já tenha circulado um pouquinho por sites que se dedicam a abordar questões de gênero – especialmente aqueles que, em algum ponto, acabam usando o cinema como maneira de ilustrar os seus debates -, é provável que, em algum momento, tenha esbarrado com um “quiz” conhecido por aí como “Regra de Bechdel”.

Primeiramente apresentado ao mundo em uma tirinha chamada “A regra”, parte integrante do volume de histórias Dykes To Watch Out For, o teste em questão visa investigar alguns pontos básicos da representação feminina no cinema. E quando eu digo “básicos” gostaria que a palavra fosse levada ao extremo, porque as perguntas feitas por Alison Bechdel – a autora da “HQ” que deu origem a “Regra” – soam quase corriqueiras.

Para ser aprovado nesse teste, um longa precisa conter, simultaneamente, esses três elementos:

  • Ter, pelo menos, duas personagens femininas.
  • Em algum ponto da ação, elas devem estabelecer um diálogo.
  • Esse diálogo, por sua vez, precisa ser sobre qualquer coisa que não tenha a ver com um homem.

Se ao terminar de ler esses três itens te passou pela cabeça que quase toda produção se desenvolve de maneira a responder “sim” para todos esses itens, pense mais um pouco. Porque, por exemplo, coisas como Sex And The City, em alguns momentos, “reprovam” – mesmo que a série seja considera uma das pioneiras na transposição de questões ligadas à sexualidade feminina para a cultura pop.

Por ser uma questão mais complexa do que aparenta, hoje, decidimos mostrar para vocês alguns veículos um pouco inusitados que passam com dez (e ganham uma estrelinha dourada de Alison) na “Regra de Bechdel”, mas numa observação descuidada – ou mesmo naqueles momentos em que a gente julga o longa pelo pôster – poderiam ser vistos só como bobagens descartáveis que reforçam ideias negativas.

Então, clica ali no “continue reading” para conferir os eleitos do Top 5: Filmes inesperados que passam na “Regra de Bechdel”.

Continue lendo

O Cão Que Guarda as Estrelas, Takashi Murakami

Hoshi Mamoru Inu Capa.indd

Eu comecei a leitura de O Cão Que Guarda as Estrelas, de Takashi Murakami, achando que encontraria algo muito, muito fofo, numa vibe quase Disney, ou com o otimismo dos filmes mais felizes do Studio Ghibli. Tem como não vomitar arco íris e sorrir ao ver essa ilustração de capa linda? Ou esse olhar pidão do Happy, o cachorro que protagoniza a história? Eu acho difícil.

Mas fazia tempo que minha impressão sobre uma leitura não mudava tão rápido. Porque logo nas três primeiras páginas do livro, a gente percebe que o que vai acontecer não é assim tão doce. Na sequência de introdução, uma dupla de policiais encontra um carro, perdido em meio a uma plantação de girassóis. Dentro dele, dois corpos: de um senhor, em avançado estado de decomposição, e de um cachorro, muito mais conservado. Depois, saberemos de tudo que aconteceu até essa ”cena” – que não chega a ser o fim da história, inclusive.

Somos apresentados ao supracitado Happy, um cãozinho da raça Akita que é encontrado por uma garotinha e levado para sua casa. A criança brinca; a mãe alimenta, o pai leva para passear, e assim o animal leva uma vida completa. Pelo menos inicialmente: dizer mais que isso seria revelador demais, mas como em qualquer família, nem tudo aqui permanece as mil maravilhas o tempo todo. Num segundo momento, conhecemos o agente social que investiga a cena de morte lá do começo da narrativa e um pouco mais sobre sua história, que traz pontos paralelos com a principal.

Assim, O Cão Que Guarda as Estrelas vai te quebrando, pela carga emocional que carrega. E você percebe que na verdade, o livro é duro demais. O tipo de leitura que é muito mais tortuosa, de um jeito (como no meu caso!) que você nem imaginava no começo. E que mesmo rápida, te faz parar em um momento ou outro pra pegar o ar e prosseguir.

Continue lendo

Criolo – Convoque Seu Buda

criolo1

Convoque Seu Buda, sem dúvida, estava entre as produções mais esperadas do ano. Para quem curte rap, este foi um ano memorável. E entre tantas pérolas aguardadas, o terceiro disco de Criolo era uma das principais. O álbum já tem quase 700 mil visualizações (audições, talvez?) no YouTube, onde foi postado em 3 de novembro, data de seu lançamento oficial. Ao mesmo tempo, o registro foi disponibilizado para download no site oficial do artista.

Criolo é conhecido por não se “restringir” apenas ao rap em seus discos, transitando entre diversos outros estilos e gêneros musicais. Em Convoque Seu Buda não é diferente. Elementos que marcam a influência do maracatu, jongo, baião, rock, jazz, black music, reaggea, samba, afrobeat, entre outros, estão presentes ao longo do trabalho. As referências, digamos, intelectuais, também chamam atenção com frequência no trabalho do artista. Nesse disco, aparecem Sabotage, Ferréz, Sartre, Nietzsche, Perrenoud, Black Alien, Piaget, Edi Rock…Ufa, e ainda acho que esqueci de algum.

As letras, bem como a musicalidade, variam de temática, mas possuem marcas específicas. De cara, ouvindo o disco pela primeira vez, notei que o incômodo principal gira em torno das várias contradições da metrópole atual. A falta de moradia (“seu padeiro quer uma casa pra morar”), como uma das centrais, não aparece de maneira explícita, mas também vai perpassando as faixas, quase de maneira pedagógica.

Em Casa de Papelão, Criolo narra a vida nas ruas, fala sobre crack, especulação imobiliária e seu incômodo com a hipocrisia citadina torna-se latente em uma canção impecável. Com direito a um trecho de poema (cujo início já constava em Cerol, música antiga do cantor), os sopros dos arranjos dão a atmosfera dramática que a letra precisa pra ter seu efeito reflexivo, além de um toque meio afrobeat que faz lembrar o Nó Na Orelha.

Continue lendo

Top 5: Músicas que ninguém aguenta mais ouvir

hugo6

Ah, chegou aquela época do ano gostosa em que a gente aguenta parente chato, em que a gente tem que comprar presente pro amigo oculto da firma, em que a gente tem que enfrentar shopping lotado. Ah, essa época do ano em que a gente só tem pensamento para uma trilha sonora: Então é Natal, na voz da Simone.

Não, não adianta querer mudar ou fugir. Você leu o título da canção e tenho certeza que imediatamente já começou a cantar mentalmente ENTÃO É NATAAAAAL E O QUE VOCÊ FEEEEZ?? O ANO TERMINAAAAA E NASCE OUTRA VEEEEEZ. E ainda que você queira se blindar, será uma tarefa muito difícil, porque em todo e qualquer lugar, a Simone estará cantando.

O que a cantora brasileira conseguiu com esta canção, lançada em 1995 e tocada exaustivamente até hoje, que é despertar a raiva de uma geração inteira para uma música até bonita. E é isso também o que os integrantes desse Top 5 conseguiram (ou estão conseguindo) com suas canções: tocar até morrer em tudo que é lugar, se tornarem chatos, criar antipatia.

Clica aí no “continue reading”, me abraça, faz um grupo de terapia em conjunto e vem conferir uma lista com músicas lançadas há não muito tempo, mas que a gente não aguenta mais ouvir.

Continue lendo