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Kiesza – Hideaway

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Eu tenho o maior orgulho de ter nascido na década de 90, que trouxe algumas das coisas mais legais ever. Pessoalmente, eu faria uma listinha com aquelas tem valor especial pra mim: Alanis Morissete, Spice Girls, aquelas sitcoms meio canastronas, as meninas do Lilith Fair, É o Tchan

Mas, por ser apenas um garotinho maroto naquela época, eu não me interessava por conhecer coisas que fugissem do meu imaginário infantil. E isso se estendia para a música: no meu radinho, tudo que tocava era, sei lá… Chiquititas? Eu gostaria de ter a idade que tenho hoje naquela época, só pra “me jogar” muito mais, em especial no pop/dance noventista, com todos os seus excessos.

Então, hoje, além de me pegar resgatando artistas da época tardiamente, sempre me rendo fácil quando aparece alguém que traz de volta o que havia de mais interessante nas pistas: no caso, os ritmos que faziam todo mundo se mexer, a dramaticidade e certa inocência. E se o artista tiver uma postura que faça jus à tudo isso, ainda melhor.

Encontrei exatamente isso quando conheci Kiesza, que apareceu com o melhor cartão de visitas possível: o já hit Hideaway, que se você não souber que foi lançado esse ano, bem convence como uma gravação lá de trás, com os vocais super agudos da moça falando sobre um cara que a faz sonhar, tudo isso em cima de uma base meio house.

O clipe da faixa, gravado em uma tomada só, com figurinos super característicos (suspensório e sneakers vermelhos, juntinhos, sem pudor!), traz a cantora andando pelas ruas do Brooklyn, se encontrando com sua turma e emendando vários passinhos desajeitados – e também faz sua parte em reforçar o que há de retrô no trabalho de Kiesza. Conteúdo e forma se casam direitinho.

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Grey Gardens

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Algumas pessoas têm uma ideia equivocada de que documentários, necessariamente, precisam adotar um tom chato e educativo. Quase sempre por terem uma noção pré-concebida do gênero, no qual ele estaria sempre associado a um formato “History Channel de ser”.

Essa noção ignora possibilidades e desconsidera alguns clássicos como Grey Gardens, filme realizado pela equipe dos irmãos Albert e David Maysles, que com seu “cinema direto”, no qual a história apresentada ao público não conta com qualquer roteiro a ser seguido, mas antes obedece à realidade dos seus objetos de interesse, criaram um longa honesto, incomum e, apesar de livre da grande maioria das convenções do gênero – como a narração onisciente –, de uma objetividade impressionante.

A título de contextualização, caso você não esteja familiarizado com tudo o que havia por traz daqueles incômodos 100 minutos, Grey Gardens conta a história da mansão de mesmo nome. Imponente em seu tamanho e localização (East Hampton), a casa era ocupada pela tia de Jacqueline Kennedy, Edith Beale, e sua prima, Little Edie Beale, e há cerca de 40 anos não recebia a manutenção e limpeza adequadas. O seu jardim, antes invejado pelos vizinhos e comentado em páginas de revistas, no momento em que o longa se passa, estava cheio de ervas daninhas; e os 28 cômodos da mansão eram ocupados por gatos, guaxinins e pulgas, representando uma ameaça para a saúde local e fazendo com que Little Edie e Big Edie recebessem constantes visitas da vigilância sanitária e ameaças da prefeitura.

O mais curioso, entretanto, não está associado ao ambiente insalubre, mas fica por conta de como as “personagens” do filme parecem acompanhar o estado de decrepitude da casa: desde os primeiros minutos de Grey Gardens, temos certeza de que estamos diante de duas pessoas mentalmente instáveis, que se refugiam em uma espécie de passado glorioso, do qual nunca se desprenderam completamente e, por vezes, dão a entender que ainda acreditam na possibilidade de concretização dos seus sonhos.

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Asterios Polyp, David Mazzucchelli

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A HQ Asterios Polyp, de David Mazzuchelli, não parece nada de especial pela sinopse, ainda que ela soe interessante.

A obra conta a história do personagem título, um arquiteto de meia idade, arrogante e presunçoso, que se encontra num péssimo momento da vida. Depois de perder tudo num incêndio – que aconteceU no dia de seu aniversário de 50 anos -, ele decidiu viajar por aí sem rumo, procurando respostas para erros e pendências do passado.

Tudo isso dá a ideia de que vamos acompanhar um drama daqueles ou talvez uma história comum, onde personagem sofrido busca a redenção. Mas esqueça essas impressões. O livro desfaz todas elas logo nas primeiras páginas, em que anuncia, com presença, ser muito mais do que parece.

O principal motivo disso vem da dimensão que o autor atribui à trama conforme ela se desenvolve. Mazzucchelli, que passou dez anos (!) trabalhando em Asterios Polyp, criou uma jornada em que a vida do protagonista é apenas o fio condutor para que ingressemos em outras vidas diversas, repletas de questionamentos existenciais complexos e situações pertinentes ao cotidiano de todos nós, com suas cargas de dureza e ternura que acabam nos moldando como somos.

Narrada de forma não linear por Ignazio, o irmão gêmeo natimorto de Asterios – que por ter morrido no parto foi privado de sua própria bagagem pessoal e parece reviver a vida do parente como consolo -, a história não poupa detalhes nem dos dias de glória, nem do fracasso de nosso “herói” no que diz respeito ao amor, relações pessoais, sucesso profissional e afins. A forma com que David traça paralelos entre o personagem de antes e o do presente faz com que a gente acompanhe tudo com uma sensação meio amarga: “a vida percorre rumos doidos mesmo”, pensamos, não raro nos colocando no papel do arquiteto.

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3 Momentos: Britney Spears

Style: "Daylight pop minus"

Ela já foi virgem, biscate e louca. Foi considerada uma das promessas dos anos noventa, demorou uns três discos para realmente mostrar a que veio (pelo menos em termos de qualidade), mas hoje é nome consolidado e referência para quem deseja ingressar no pop. Já apareceu por aí loira, morena, de peruca rosa e até mesmo careca. Já esteve no topo, abraçou a Samara no fundo do poço e mostrou que volta por cima é sempre possível ao gravar um disco que, até hoje, é o melhor de sua carreira.

Celebrada por um tempo como “queridinha da América (conservadora)”, Britney Spears sempre soube usar o circo da mídia a seu favor – mesmo quando distribuía golpes de guarda-chuva ou passeava por aí com Paris Hilton e Lindsay Lohan – e se manter em evidência, ainda que o seu mundo estivesse prestes a desabar e todos quisessem um pedaço dela, com o perdão do trocadilho. E independente de parte disso ser trabalho de uma equipe eficiente de marketing, se não fosse o carisma, a sensualidade e, atualmente, esse jeito de quem está sempre fora demais do mundo para se importar, Britney possivelmente teria durado os cinco anos que os seus detratores previam e não os quinze que já vem durando.

E nessa uma década e meia, Spears esteve muito ativa, obrigada. E emplacando hits, explorando novas possibilidades para a sua imagem e carreira, e mostrando porque ela, entre tantos artistas surgidos no mesmo período, é respeitada, lembrada com carinho e porque o seu nome é sinônimo de shows lotados – mesmo que não seja segredo para ninguém que ela faz playback – e seguidores fiéis. E, claro, porque ela também é sinônimo de pop gostoso, despretensioso e que nunca teve vergonha de ser exatamente aquilo que é: um produto viciante, para ser consumido sem moderação e que tem o poder te de deixar eufórico e ansioso por mais.

Hoje separamos 3 Momentos que (tentam) mostrar a trajetória – cheia de altos, baixos e alguns meios-termos insossos – de Britney Spears. Momentos que, além de te levarem de volta para um tempo em que o mundo pop parecia mais colorido e as estrelas eram mais do que attention whores, vão mostrar a importância que a loira tem para o estilo no que se insere e para a cultura pop de uma maneira geral.

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Móveis Coloniais de Acaju – De Lá Até Aqui

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A banda Móveis Coloniais de Acaju surgiu no cenário underground brasileiro lá pela metade dos anos 2000 e conseguiu, em pouco tempo, conquistar um certo destaque pela mistura de ritmos a que se propunha, pelo pouco medo de se arriscar e pelas letras das canções, que passavam pelo humor e pelo romantismo, num pulo só. Depois de dois discos lançados de forma independente, os caras assinaram com uma grande gravadora e lançaram, no ano passado, o álbum De Lá Até Aqui.

De Lá Até Aqui é um disco mais “limpo” (eu poderia chamar de coxinha?) que os anteriores. Por estarem agora em uma gravadora, é possível notar que os caras tiveram a mão de um produtor experiente e aquela bagunça organizada (e, em até alguns momentos, meio desorganizada mesmo) que a banda parecia injetar nos trabalhos anteriores, desapareceu. Nesse trabalho, os instrumentos são mais bem demarcados e, para conquistar um público maior, o som se torna muito mais radiofônico, o que levou a banda a perder, infelizmente, um pouco do humor característico.

O trabalho mantém as letras bem construídas, assim como mistura de ritmos que fez o conjunto se tornar uma das boas promessas – que agora aparecem de forma mais evidente. Isso fica claro quando a banda flerta com o indie em Sede de Chuva, música que abre o trabalho e já mostra logo de cara um pouco do que representa essa nova fase da Móveis; ou quando a banda mergulha na soul a la Motown em Vejo em teu Olhar e naquilo que era produzido por Tim Maia em Longe é um Lugarou ainda quando traz o ska de volta pro seu som em Sem Fim. Continue reading

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3 Momentos: Toni Collette

THE UNITED STATES OF TARA

Apesar de ter algumas indicações a prêmios e o respeito de público e crítica, Toni Collette ainda é o tipo de atriz que passa um pouco despercebida. Não por falta de talento ou por se envolver em projetos mais independentes (embora ela o faça às vezes), mas, talvez, por ser mais low profile e ter investido em coisas diferentes em seus 22 anos de estrada.

A australiana, que começou a sua carreira em 1992, atuando ao lado de Antony Hopkins em Spotswood (Spotswood, 1992), não restringiu a sua presença somente ao mundo do cinema e participou também de séries de TV (algumas ótimas, outras Hostages) e gravou discos ao lado de sua banda, Toni Collette & The Finish. Se mostrando boa em tudo o que se propõe a fazer – inclusive, caso você não conheça a faceta cantora da moça, vale a pena conferir aqui -, Toni é daquelas pessoas que, mesmo não alcançando uma fama proporcional ao seu talento, sempre é lembrada com carinho.

E isso não acontece somente porque as suas personagens, quase sempre, são adoráveis. Colette conquista pela simpatia, pela capacidade de desenvolver tipos variados e de brilhar mesmo quando a sua participação numa produção é pequena, como no caso de As Horas (The Hours, 2002), onde ela aparece por pouco tempo, mas dá conta de fazer da sua Kitty algo memorável; ou em Velvet Goldmine (Velvet Goldmine, 1999), no qual ela dá vida a ressentida Mandy Slade e consegue atrair o olhar do espectador mesmo dividindo a cena com um Jonathan Rhys Meyers visivelmente inspirado e um Ewan McGregor absurdamente selvagem.

E é por isso que ela ilustra o nosso 3 Momentos de hoje. E porque eu tenho vontade de ser amiga dela.

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Mumford & Sons – Babel

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Mumford & Sons é uma banda britânica de folk que, apesar de soar como se tivesse surgido há décadas, foi criada em 2007. Donos de um som que, independente das letras, muitas vezes soa alegre, os rapazes acham espaço nas suas músicas para dialogar com o country e inserir elementos, como um coral – composto pelos próprios integrantes da banda –, em suas músicas. E em Babel, o segundo disco do Mumford & Sons, isso é bem visível.

Iniciado com a faixa título, o disco já começa “exorcizando demônios” e dando munição para quem ouve cantar de peito aberto um dos versos mais bonitos do álbum (“Cause I know my weakness, know my voice/I’ll believe in grace and choice”). Babel, a música, te desafia a não tamborilar os dedos por alguma superfície que faça barulho enquanto ela é tocada. Isso para dizer o mínimo porque a canção mantém a energia do disco lá no alto, de modo que quando os outros elementos do trabalho do Mumford & Sons surgem, a gente vai se empolgando ainda mais com o que escuta.

Entre esses elementos, está a inserção do country, que se torna bastante clara em I Will Wait, faixa na qual Marcus Mumford canta que vai se manter corajoso e forte enquanto espera pela sua amada. Tudo isso de um jeito que faz a gente perceber a calma que existe em seu coração. E é tudo tão bonito e simétrico na faixa que é impossível não ficar com um sorriso bobo estampado na cara enquanto se ouve, além de ser daquelas que também desafiam o seu auto controle quando o assunto é se mexer/ficar parado.

O grande destaque de Babel fica por conta de Ghosts That We Knew, que é também a música que mais se diferencia do restante do trabalho. Composta somente por piano e voz, o Mumford & Sons consegue encher de amor o coração do ouvinte e, de um jeito cheio de energia, entrega um dos trechos mais bonitos do álbum: “So give me hope in the darkness that I will see the light/ Cause oh that gave me such a fright/ But I Will hold as long as you like/ Just promisse me we’ll be alright”. E o mais legal de tudo é que, ao vivo, os rapazes não fazem nada diferente do que foi citado ao tocar essa música, mas conseguem potencializar o sentimento que ela causa. Porque a emoção da voz de Marcus se eleva à um nível maior e torna a canção tão grandiosa que é impossível não se encantar por ela.

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10 Fatos Sobre: Pulp Fiction – Tempo de Violência

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Diálogos cortantes. Humor negro. Verborragia. Quantidades obscenas de sangue. Violência.

Agora imagine tudo isso num roteiro não-linear, cheio de imaginação, carregado de referências à cultura pop e aos clássicos do cinema. Acrescente a criação de um universo completamente “inverossímil” para nós, pessoas normais, e pronto: você tem em mãos um filme de Quentin Tarantino. Quer ver só?

Pulp Fiction – Tempo de Violência (Pulp Fiction, 1994), o longa que consolidou o status do diretor, tem o seu título emprestado de revistas pulp, gênero popular no começo do século XX, que visa contar histórias fantásticas (quase sempre de ficção científica), o que deixa claro, de saída, aquilo que estamos prestes a assistir: um filme marcado por caracteres que poderiam emprestar a ele traços de uma produção de menor qualidade ou mesmo absurda, mas que funcionam tão bem quando em diálogo – e enquanto parte do cotidiano dos personagens retratados por Tarantino – que Pulp Fiction tem cara daquelas coisas que já nascem consagradas e preparadas para marcar uma época.

Dirigido de uma maneira bastante estilizada, o filme conta algumas histórias distintas que, em determinado ponto, se entrelaçam de uma maneira surpreendente. E, no meio do caminho, mil reviravoltas improváveis acontecem, algumas mortes nos fazem rir até quase perder o ar e a gente passa toda a projeção hipnotizado pela maneira como tudo – absolutamente tudo – é bem amarrado. E aquilo que permanece sem resposta, permanece desse modo intencionalmente.

Entre referências a O Pecado Mora ao Lado (The Seven Year Itch, 1955), Jules e Jim (Jules et Jim, 1962), Sem Destino (Easy Rider, 1963) e até mesmo The Rocky Horror Picture Show (The Rocky Horror Picture Show, 1975), Quentin Tarantino entrega um filme inusitado, com alma, ritmo ágil e um enredo que, absurdos a parte, te faz ficar interessado em cada segundo da projeção. E te faz entender exatamente de onde vem todo o fervor com que as pessoas falam sobre Pulp Fiction atualmente (mesmo que você considere exagerado).

E se aquilo que estava na frente das câmeras era incrível, as histórias de bastidores são igualmente boas. Por isso, hoje reunimos 10 Fatos Sobre: Pulp Fiction – Tempo de Violência. E acreditem: essa foi uma das listas mais difíceis de fechar na história da Outra Página porque existem, pelo menos, umas 80 curiosidades bacanas sobre o longa.

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Malu – Memórias de Uma Trans, Cordeiro de Sá

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A HQ Malu – Memórias de Uma Trans surgiu após o encontro do quadrinista Cordeiro de Sá com um amigo de infância, transexual, que estava prestes a iniciar seu processo de readequação sexual. Eles não se viam há tempos e colocar o assunto em dia fez com que o autor conhecesse mais sobre as experiências, prazeres e dificuldades de uma pessoa nessa situação.

Usando também como base outros casos que conhecia, Cordeiro criou Antônio, um rapaz que percebe desde criança que seu corpo não corresponde ao seu gênero real, e decide mostrar-se Malu – ou, como brinca, “Malu, Mulher”, referenciando o seriado de mesmo nome.

A sua saga (passando pela descoberta pessoal, do amor, conflitos parentais e contato com a militância LGBTT, entre outros pontos) é contada com a dedicação de alguém que buscou entender bem sobre o que está falando – e mergulhar o máximo possível no íntimo da personagem.

E dá pra dizer que, mesmo com alguns problemas, Cordeiro teve êxito na tarefa. Nós gostamos de Malu logo de cara porque sua vontade de ser quem é de verdade, clara desde as primeiras páginas, nos envolve fácil e faz com que a gente torça muito por ela. Embora Sá não tenha vivenciado tudo aquilo, a HQ mostra que o moço teve tato para ouvir, compreender e reproduzir muitas coisas que conheceu em sua pesquisa, gerando assim uma protagonista verossímil.

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3×4: Chihiro

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Nome: Chihiro
Idade: 10 anos
Apareceu em: A Viagem de Chihiro (Spirited Away, 2001)

Se Chihiro tivesse escolha, provavelmente deixaria que seus pais partissem sozinhos. A garotinha, protagonista de A Viagem de Chihiro, é forçada a se mudar com a família quando seu pai recebe uma nova oferta de emprego. Deixando pra trás a cidade que habitava e seus amigos, se encontra, no começo do longa, naquela fase de negação em que nada que virá adiante parece muito empolgante em comparação à sua vida anterior.

Mas o fato é que Chihiro, definitivamente, não faz ideia do que encontrará a seguir. Porque durante a ida para sua nova casa, a vida dela mudará para sempre. E o motivo disso, além de surreal, é muito, muito fascinante.

Quando uma obstrução no caminho faz com que seus pais decidam parar o carro e seguir parte do caminho a pé, eles acabam chegando numa espécie de parque de diversões abandonado, atrelado a uma pequena vila que não parece ter nenhuma alma viva nela. Curiosamente, em uma das barracas, há comida em abundância com aquela cara de “feita na hora”. Mortos de fome, os pais de Chihiro decidem parar por lá e comer alguma coisa.

Embora em partes sua reclamação venha de certa “birra” e de seu jeito mimado, Chihiro nota que há algo de errado ali e pede que todos retornem para o carro. Ignorada, dá uma volta pelo local, se depara com sombras misteriosas saindo das águas e, ao tentar comunicar o que aconteceu aos seus pais, tem o maior choque de todos: descobre que eles foram transformados em porcos, por (descobriremos depois!) comerem “comida reservada aos Deuses”.

E é aí que a garota entra de cabeça num mundo de criaturas estranhas, amigos meio “tortos” e desafios que requerem coragem para transpor. Ela descobre que o lugar onde acabou indo parar é uma espécie de “hotel” para espíritos e entidades mágicas, comandado por Yubaba, uma feiticeira de índole pra lá de questionável. A bruxa rouba o nome da menina e a obriga a trabalhar no lugar.

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Top 5: Músicas sobre prostituição

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Alguns dizem que trata-se da profissão mais antiga do mundo. Outros, dizem que é pecado e que condena todas as praticantes de tal atividade ao inferno. Um outro grupo diz que é uma atividade fácil, de retorno financeiro ainda mais fácil. Polêmica e controversa desde que o mundo é mundo, a prostituição está cercada de preconceitos e de visões muitas vezes equivocadas por parte das pessoas.

Tão rejeitadas e empurradas para a margem da sociedade, as prostitutas, mesmo tendo reconhecida importância histórica, ainda hoje, em um mundo evoluído (??), brigam por reconhecimento, para ter voz na sociedade e para ser encaradas como profissionais.

De forma romanceada ou não, a prostituição sempre despertou interesse e curiosidade de romancistas, pintores, cineastas e músicos, seja para contar a história de uma prostituta, seja para contar sobre as dificuldades de se amar uma ou para denunciar a vida nada fácil que essas moças levam.

E é isso que este Top 5 vai mostrar: cinco músicas que falam sobre prostituição. Algumas de um jeito mais explícito, outras de um jeito um tanto mais romântico, mas todas em que as prostitutas e a prostituição são as personagens principais.

Então, clica aí no “continue reading” e vem com a gente!

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Como Eu Era Antes de Você, Jojo Moyes

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Desde o seu título Como Eu Era Antes de Você parece uma história batida e açucarada. E se você resolve não se deixar guiar pelo título e lê o que está escrito na contracapa do livro, a sensação de deja vu e a preguiça não desaparecem por completo, já que, em linhas gerais, a sinopse oferecida diz que duas pessoas inusitadas vão se encontrar por acaso e vão acabar mudando uma a vida da outra. E diz ainda que, sim, se trata de uma história de amor. Então, eu não sei se vocês, mas tudo isso me lembra todo(s) o(s) universo(s) criado(s) por Nicolas Sparks.

Porém, se uma coisa fez sentido para mim durante a leitura da obra, foi aquilo que nos ensinam desde criancinha: não julgue um livro pela capa (ou pela sinopse. Ou pelo título). Porque Como Eu Era Antes de Você é maior do que essas coisas citadas. Em todos os sentidos. Desde a qualidade da escrita de Jojo Moyes até as soluções que a autora encontra para levar os seus personagens às conclusões que deseja.

Contando a história de Louisa Clark, uma moça que acredita ser exatamente aquilo que todo mundo lhe diz e soterra as suas capacidades numa vida trivial e mecânica; e de Will Traynor, um homem rico que, há dois anos, perdeu todos os movimentos abaixo do pescoço, graças a um acidente de carro, Moyes, de cara, afasta a sua narrativa de um romancezinho clichê.

Primeiro, porque Louisa tem um namorado de anos, do qual ela pode até não gostar muito, mas não pensa em se separar; e Will se encontra completamente fechado para o mundo por ter perdido a possibilidade de fazer grande parte daquilo que gostava e não ver sentido em estar vivo sem as coisas que definiam a sua identidade. Assim, quando os dois se cruzam – num contexto que, aliás, é estritamente profissional – ambos não estão interessados em sequer fazer amigos.

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Grande Menina, Pequena Mulher

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A primeira cena de Grande Menina, Pequena Mulher (Uptown Girls, 2003) traz Molly Gunn (Britany Murphy) acordando atrasada para uma festa, em seu apartamento espaçoso na cobertura de um prédio. A moça chega na balada sob reclamações de sua melhor amiga, de que ela “sempre se atrasa”. Ao chegar lá, se depara com uma bela festa surpresa. Molly está fazendo aniversário! Ela é elogiada por todos, caminha pelos convidados com desenvoltura e confiante como sempre costuma ser.

Esse momento representa muito bem a vida da protagonista até aquele ponto da história. Mas não o que o filme trará a seguir. Porque apesar de parecer uma comédia exageradamente colorida a princípio, Grande Menina, Pequena Mulher logo deixa essa impressão para trás e se torna mais agridoce do que a gente podia supor – apesar de manter a fofura até o fim.

Molly, pra lá de deslumbrada, é filha de um finado rockstar e vive confortável com a herança do pai. Um dia, o cara que toma conta de suas finanças parte para outro país, roubando as economias dela e de várias outras pessoas. Falida – e sem nunca ter trabalhado na vida -, a moça percebe (mesmo sem se notar a gravidade de sua situação no começo), que é hora de sair de sua bolha e cair na real, arranjar um emprego e viver de modo mais “econômico”, digamos.

Inapta a fazer qualquer atividade formal, a protagonista acaba tornando-se babá de Ray (Dakota Fanning), uma menina rica e cheia de neuroses. Representando o contraponto perfeito de Molly, a garotinha é hipercontroladora, super centrada e nada calorosa. Ao longo de seu convívio, as personagens descobrem que podem encontrar na outra uma amiga e descobrir juntas as coisas que lhes faltam.

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Leo Cavalcanti – Despertador

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Despertador, o segundo disco de estúdio do paulistano Leo Cavalcanti, traz consigo uma sonoridade bastante psicodélica, cheia de efeitos sonoros que dão um tom um pouco confuso às suas canções. Essa confusão, porém, não significa um defeito, mas dá ao trabalho uma qualidade interessante, que pode ser sentida desde a abertura do registro.

Soando, em alguns momentos, como algo que o Pato Fu teria feito em Ruído Rosa, as distorções e psicodelias apresentadas por Cavalcanti se fazem presentes a todo o momento, mas jamais roubam a atenção exclusivamente para si.

Sim, tem-se uma batida constante e “pesada”, mas isso não atrapalha o ouvinte a perceber a beleza da voz do cantor ou mesmo das palavras presentes nas suas músicas, como no caso de Só Digo Sim, que tem essas características e é bastante doce.

Por mais que, a princípio, possa parecer que Leo Cavalcanti se enquadra na “Nova MPB” (o que, de certa forma, tem mais a ver com primeiro disco do cantor), em Despertador essa impressão é afastada pela influência do pop em suas músicas.

E, além disso, o artista investe em outras coisas e parece ter um foco diferente, que mesmo não o distanciando completamente da “fofura” típica de alguns expoentes do estilo citado, são suficientes para a gente achar que o trabalho dele conta com algum diferencial.

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