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Amor Sem Pecado

adore

Antes de assistir Amor Sem Pecado (Adore, 2013), você precisa deixar o conservadorismo em casa. Precisa esquecer também todos os conceitos que você construiu sobre o que é aceitável e inaceitável em termos de relacionamento. Porque nesse filme você vai encontrar uma coisa que rompe completamente com tudo o que é ortodoxo (ou que ensinaram para a gente a tratar como ortodoxo). Portanto, é preciso que você desligue o seus julgamentos antes de entrar na sala de cinema ou você corre o risco de cometer alguns dos enganos dos vários detratores do filme.

É fato que cabem diversas críticas ao longa, especialmente no que tange a tentativa de Anne Fontaine, a diretora, de tentar fazer com que ele não fosse tão psicológico e reflexivo (para citar as palavras da própria nessa entrevista aqui, onde ela explica o porquê de ter decidido filmar fora da França, seu país de origem). Mas uma das retaliações mais comuns diz respeito à beleza física dos atores. Há quem questione se Fontaine teria filmado Amor Sem Pecado da maneira como ele é caso as suas protagonistas fossem Barbra Streisand e Kathy Bathes (é, bem assim mesmo, com nomes e tudo) e se os filhos das personagens não fossem surfistas de corpo bem desenhado.

Observar o longa por essa perspectiva é tão reducionista que talvez não merecesse nem uma resposta. Mas, ao mesmo tempo, a crítica feita passa tão longe daquilo que deveria ser o ponto principal que não dá para deixar o comentário passar batido.

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