Arquivo da tag: resenha de A Espuma dos Dias

A Espuma dos Dias

A Espuma dos Dias

Até ontem eu nunca tinha ouvido falar em Boris Vian. Antes de ler o nome dele nos créditos de A Espuma dos Dias (L’Écume des Jours, 2013), aliás, achava que o longa partia de uma ideia totalmente original. Hoje, depois de pesquisar um pouco, vi que Boris foi um dos nomes mais marcantes da cultura contemporânea francesa. Há quem diga, inclusive, que dentro de seu país de origem o livro A Espuma dos Dias tomou o lugar de O Apanhador no Campo de Centeio o lugar ‘no coração de toda uma geração’.

O curioso nisso tudo é que depois que assisti ao filme, mesmo já sabendo que ele era baseado no livro de Vian, continuei pensando que se tratava de algo cem por cento autoral. Porque aquilo tudo que eu acabara de ver era Michel Gondry em seu estado mais puro. E quando digo aquilo tudo, meus amigos, estou falando de uma beleza plástica impressionante, de linhas escritas com ternura, e de imagens cheias de imaginação. E excessos.

Para criar um mundo fantástico que parece uma versão do futuro imaginada por alguém dos anos 40, Gondry conta com ferramentas que vão desde móveis especificamente projetados (a direção de arte é estupenda e enche os olhos com o design das peças e dos cenários) a animações em stop-motion. Toda essa alegoria visual combinada com uma câmera que não para e personagens exóticos (há um ratinho que interage com os protagonistas, um cozinheiro que também é mentor e advogado e um chefe de cozinha que vive dentro da tv/geladeira) causa um estranhamento gigante a princípio e promove um distanciamento forçado entre o espectador e as personagens. Tem tanta coisa acontecendo a todo o tempo em todos os espaços da tela que fica difícil se envolver. O que soa paradoxal, uma vez que nossa atenção cresce justamente por esses motivos.

Continue lendo