Top 5: Filmes com mulheres vingativas

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Tem coisa mais legal num filme do que vingança?

É gratificante demais assistir a revanche de um mocinho ou de uma mocinha que pelejou um bocado antes de poder olhar na cara do vilão ou da vilã e mandar na lata: “toma, trouxa, agora é a hora!”. E quanto mais o herói sofre durante sua jornada e quanto mais frágil ele parece ser, mais surpreendente é seu revide.

Por mais que agir seguindo as leis do olho no olho, dente por dente, seja questionável, quando se trata de ficção (e quando o filme ou o livro ou a peça é bem feito), a gente partilha genuinamente dos sentimentos do algoz que outrora foi vítima. A gente relativa questões éticas, expande os limites do certo e do errado (o que é certo, afinal?) e goza, junto com eles, quando a vingança é finalmente executada.

Saindo do âmbito filmíco e falando de uma maneira geral (sobre a vida, o universo e tudo mais), dá pra dizer que a imagem da mulher foi construída ao longo dos séculos como sendo sensível, vulnerável e fraca. Então, de certa forma, acaba sendo uma ousadia desmistificar tudo isso e as colocar como protagonistas fortes, interessantes e cheia de poder.

E é isso que a gente vê agora, em nosso Top 5: Filmes com mulheres vingativas.

 5º O Profissional (Léon, de Luc Besson, 1994)

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Não é fácil ser Mathilda (Natalie Portman). A menininha, que mal completou onze anos, assistiu toda sua família ser assassinada brutalmente por traficantes barra pesada e não pôde fazer nada. Nadinha. Nem mesmo chorar ou gritar diante de tal atrocidade. Mas como a vingança é um prato que se come frio, ela “contratou” um assassino profissional (Jean Reno) para aprender os macetes e os requintes da arte de matar para, enfim, vingar o seu irmãozinho.

A inocência contrastada com o terror e a violência tornam Mathilda uma personagem fascinante e faz de O Profissional (Léon, 1994) uma metáfora cruel sobre crescer e encontrar seu lugar no mundo (que é uma merda).

Veja o trailer.

4º Teeth – A Vagina Dentada (Teeth, de Mitchell Lichtenstein, 2007)

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A ideia que sustenta Teeth – A Vagina Dentada (Teeth, 2007) é tão surreal, mas tão surreal que tudo que a gente pensa enquanto assiste é: vééééi!

Contando a história de Dawn (Jess Weixler), uma garota que faz parte de um grupo cristão de abstinência (no melhor estilo Escolhi Esperar), Teeth – A Vagina Dentada surpreende o espectador e também a própria protagonista ao revelar que ela tem dentes em sua vagina (?!).

Ela, que descobriu da pior maneira possível sua condição (tentaram estuprá-la – mais de uma vez, e aí… cortaram!), ganha ao longo do longa consciência de seu corpo e numa espécie de vingança decide mostrar para todos os que tentarem se aproveitar dela que não era é tão frágil quanto pensam.

Por usar algo bizarro como uma ilustração e transitar bem entre o suspense, o drama e a comédia, é de Teeth – A Vagina Dentada nosso quarto lugar.

Veja o trailer.

3º Carrie, A Estranha (Carrie, de Brian DePalma, 1976)

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Carrie, A Estranha (Carrie, 1976) talvez seja uma das obras mais complexas, interessantes e sufocantes da história do cinema.

No enredo, conhecemos a personagem título, uma adolescente de dezessete anos (Sissy Spacek) que por ser mais tímida e retraída acaba sofrendo humilhações e insultos constantes no colégio onde estuda. Em casa as coisas são ainda mais complicadas, uma vez que sua mãe (Margaret White), uma cristã fanática, a tortura psicologicamente e reprimindo sua sexualidade e se recusando a acreditar que ela já é uma mulher.

No entanto as coisas começam a mudar quando Sue (Amy Irving) pede a seu namorado que a leve ao baile – com o intuito de se desculpar por seu comportamento. Ganhando confiança, Carrie fica feliz de verdade pela primeira vez em sua vida. O complicado é que as amigas de Sue não compartilham o sentimento de culpa dela, e decidem que o baile servirá como cenário perfeito para a maior das humilhações. E aí, meus amigos… O bicho pega.

Tomada por uma – mais do que justificada – fúria, ela usa seus então recém-descobertos poderes cinéticos para fazer com que todos aqueles que riram dela sofram tanto quanto ela sofreu. E é por conta de sua vingança apoteótica, onde ninguém – nem mesmo ela – saiu vivo, é de Carrie, A Estranha nossa medalha de bronze.

Veja o trailer.

 

 2º Kill Bill (Kill Bill, de Quentin Tarantino, 2003)

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Se tem um cara que é fanático por vingança esse cara é o Quentin Tarantino. Explorando a rodo a temática – sério, o tema tá em À Prova de Morte, Bastardos Inglórios, Pulp Fiction e Django Livre -, o diretor concede poder a seus personagens e os brinda com momentos deliciosamente violentos e chocantes.

Kill Bill (Kill Bill, 2003), o filme que a gente elegeu para representá-lo, conta com um fiapo de história – mas é tudo tão bem filmado e coreografado que isso acaba sendo o de menos. Na trama, uma personagem conhecida como A Noiva (Uma Thurman) acorda de um coma depois de quatro anos. O motivo que a levou a ficar assim, como um vegetal, foi ter levado um tiro na cabeça – quando estava grávida! – de seu ex-namorado, um gangster cruel e malvado. Desperta, ela decide ir atrás dele e também de todos os seus comparsas que a espancaram e a deixaram morrer.

Torturando, matando e fazendo-os sofrer das mais variadas maneiras, A Noiva, movida por um senso de justiça fora do comum (Bill e seus aliados não apenas a deixaram para morrer, mas mataram sua filha e roubaram dela, para sempre, a possibilidade de viver uma vida normal), ela segue obstinada em sua vingança. E a cumpre.

Veja o trailer.

1º Lady Vingança (Chinjulhan Geomjasshi, de Chan-Wook Park, 2005)

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Lady Vingança (Chinjulhan Geomjasshi, 2005) é o filme que fecha a trilogia da vingança de Chan-Wook Park. Embora não seja tão celebrado ou lembrado quanto Oldboy (Oldboy, 2003), o segundo e mais famoso título da tríade, Lady Vingança tem méritos tão grandes que numa análise mais apurada acaba mostrando que ele é tão bom ou melhor do que seu irmão famoso.

Contando a história de uma jovem (Yeong-Ae Lee) que escolhe ser presa para acobertar seu amante, Lady Vingança se revela a cada cena como um exercício de cinema minucioso e preciso. Por meio de belas – e chocantes imagens -, Chan-Wook Park constrói sua trama de um jeito truncado e interessante. Exibindo pouco a pouco as motivações de sua protagonista, que depois de descobrir que foi traída planeja sua vingança por treze anos, o filme assume durante quase todo o tempo um tom passional e extremo – que move todas as suas personagens ao limite.

Com desdobramentos e soluções nada óbvias, Lady Vingança funciona tanto como um estudo de personagem como também como uma teoria acerca da natureza humana. E é por essa preocupação, pela riqueza de detalhes e pela perfeição – sim, perfeição – que ele assume o topo de nossa lista.

Veja o trailer.

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